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Lançamento de candidatura de Zema reforça ausência de projeto na direita

Não há qualquer medida nacional ou soberana, apenas submissão aos EUA e à plataforma de ataque ao PT


por Pedro Carrano


Foto: Poder 360
Foto: Poder 360

É bem exemplar a fala de Romeu Zema, do Novo, durante o lançamento de sua candidatura à Presidência, quando ressaltou que sua plataforma principal é combater o Partido dos Trabalhadores (PT).


No fundo, transparece uma questão cara para analisar a direita brasileira, nos seus diferentes tons: o inimigo central é o PT, o que significa, no fundo, ser contra o investimento público e contra algumas melhorias, ainda que pontuais, em favorecimento dos trabalhadores, caso da recomposição do emprego.


Reportagem recente do site Infomoney, ligado ao Capital financeiro, apontou como a Faria Lima – o que significa o rentismo e as finanças -, tem críticas e desconfianças com Flávio Bolsonaro, obviamente considerado instável, mas ainda o principal nome no enfrentamento a Lula, nos dois turnos.


Embora, num eventual segundo turno, candidaturas como a de Ronaldo Caiado também tenham expressão, o primeiro turno mostra uma polarização entre PT e o neofascismo dos Bolsonaros, sem espaço para uma expressão de segunda via – ainda que isso frustre o desejo de vários analistas da mídia empresarial.


Nada está definido e o exemplo de uma eleição como a de 2018 mostra que o imprevisível pode marcar uma eleição, quando naquele ano Geraldo Alckmin, ainda no PSDB, não decolou e Bolsonaro, a partir do episódio da facada, tornou-se a principal opção da direita. Mas 2018 mostra também o que é nítido: a direita tem instinto de classe e parece saber se unificar em torno do melhor nome para enfrentar Lula e a pauta dos trabalhadores.


Pensadores históricos sobre a formação social brasileira, caso de Florestan Fernandes, apontaram a ausência de projeto da burguesia brasileira, cujos interesses estiveram, desde a sua formação, voltados para o exterior.


Já analistas atuais, caso de Armando Boito, entre outros, apontam como a burguesia interna tem um caráter pendular, ora aliada a interesses do imperialismo, ora defendendo com ênfase os interesses internos – como aconteceu, por exemplo, na primeira eleição de Lula, em 2002.


Agora, diferente de 2022, as condições não são as mesmas para Lula conformar uma Frente Ampla em torno do seu nome. Naquele momento, Bolsonaro estava desgastado, devido à pandemia, com setores do Congresso, governadores, e com frações democráticas da burguesia. As eleições serão certamente difíceis e apertadas. Ainda que os episódios de ataque à soberania nacional e interesses do Brasil possam convencer setores das federações patronais a não embarcarem no bolsonarismo.


Nesse contexto, no fundo, são os setores populares e médios que têm tido a capacidade de apontar a necessidade de um programa de desenvolvimento nacional, popular, soberano, antineoliberal, feminista, antirracista e antiLGBTfóbico - o que torna menor o raio de ação e abrangência desse programa essencial.


Fato é que, nas eleições de 2026, ainda marcada por dúvidas no seu início, o segundo turno deve gerar unidade entre as diferentes frações da direita. Todas elas, é lógico, contra o PT. E sem apresentar um projeto.

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