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Livro sobre a ditadura no Brasil é premiado no Canadá

O livro é excelente e a tradução impecável


por Redação Vigília



A obra “Searching for Memory: Aluízio Palmar and the Shadow of Dictatorship in Brazil” (lançada em português sob o título “O Garimpeiro da Memória”), de autoria do historiador estadunidense Jacob Blanc, foi eleita pela Academia Canadense como o melhor estudo sobre a América Latina e o Caribe.


Segundo o júri da Academia, a premiação reconhece um trabalho fruto de rigorosas pesquisas documentais e orais.


O livro abre novos caminhos para a reconstrução da história brasileira ao entrelaçar a trajetória do país à vida de um indivíduo. Mas não qualquer indivíduo. Ao colocar a trajetória e o ativismo de Aluízio Palmar no centro do debate, Blanc amplia a discussão sobre política e resistência social.


A narrativa lança luz sobre os ideais e princípios que moveram aqueles que enfrentaram o regime autoritário — muitas vezes ao custo da própria liberdade e da própria vida.


A partir do conceito de "roteiro de memória", a obra ilumina os processos epistemológicos que levam as pessoas a compartilhar lembranças específicas de maneiras determinadas, revelando as conexões e pontes entre diferentes plataformas de memória.


História documenta trajetória de Aluízio Palmar em Foz do Iguaçu


As agressões e o confinamento em cela solitária ocorreram em múltiplos centros de detenção no Estado e no país. Palmar relatou ter passado pela Delegacia de Polícia de Cascavel, pelo Batalhão de Fronteiras em Foz do Iguaçu, pelo quartel da Polícia do Exército em Curitiba, pelo Centro de Informações da Marinha e por estruturas situadas nas ilhas das Cobras e das Flores, no Rio de Janeiro, sofrendo choques elétricos, afogamentos e pau de arara executados à luz do dia.


Em 1971, o jornalista foi banido para o Chile ao lado de outros 69 presos políticos na operação de libertação do embaixador suíço Giovanni Bucher. Com o golpe militar de Salvador Allende em 1973, transferiu-se para o interior da Argentina com a família, onde viveu sob clandestinidade até novo golpe de Estado no país vizinho em 1976, fato que o obrigou a destruir seus registros pessoais para evitar perseguições.


Com a promulgação da Lei da Anistia, Palmar fixou residência definitiva em Foz do Iguaçu. Na cidade, fundou em 1980 o jornal Nosso Tempo, veículo que circulou por 15 anos reportando violações de direitos humanos. Ele também é autor do livro-reportagem “Onde foi que vocês enterraram nossos mortos?”, que apurou o assassinato de seis militantes no Oeste paranaense.


Hoje, atua no Centro de Direitos Humanos e Memória Popular de Foz do Iguaçu, no Comitê de Acompanhamento da Sociedade Civil na Comissão de Anistia do Ministério da Justiça e gerencia o portal Documentos Revelados, acervo digital que reúne mais de 80 mil registros históricos da ditadura militar.


Com a promulgação da Lei da Anistia, Palmar fixou residência definitiva em Foz do Iguaçu. Foto: Marcos Lablanca
Com a promulgação da Lei da Anistia, Palmar fixou residência definitiva em Foz do Iguaçu. Foto: Marcos Lablanca

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