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Nelsão da Força: "Greve da Brose é uma das maiores da História dos metalúrgicos"

Dirigente sindical vê preocupação e risco com a falta de negociação por parte da transnacional


por Pedro Carrano


Por duas vezes, durante a greve, a repressão foi brutal, reconhece o metalúrgico, mas avalia que a repressão contra o movimento operário tem tido um peso permanente. Foto: Divulgação
Por duas vezes, durante a greve, a repressão foi brutal, reconhece o metalúrgico, mas avalia que a repressão contra o movimento operário tem tido um peso permanente. Foto: Divulgação

Os 300 trabalhadores da Brose estão em greve há 36 dias por reajuste salarial e melhores condições de trabalho. No entanto, não se trata de uma greve comum.


Além do tempo extenso, que aflige as famílias dos metalúrgicos, o expediente mais grave tem sido da violência da Polícia Militar do Paraná.


Em dois momentos centrais. O primeiro deles, foi contra o dirigente metalúrgico "Nelsão da Força" Sindical, como é conhecido. O dirigente metalúrgico recebeu um "mata leão" do PM que colocou sua vida em risco. Noutra madrugada, um policial chegou a imobilizar o braço de uma operária grevista, em procedimento completamente ilegal.


Diante da preocupante interferência da Polícia Militar, o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) pede providências por parte dos poderes Executivo e Legislativo, informa o site da entidade.


“Comunicamos o Secretário de Segurança, comunicamos o governador Ratinho, principalmente pela truculência, fizemos a denúncia nos órgãos competentes”, afirma o dirigente sindical para a reportagem da Vigília.


O sindicato que representa os trabalhadores da empresa, além disso, têm realizado concentrações no Centro Cívico e procurou também o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, e o próprio governador do estado, Ratinho Jr.


"Levamos oficio para discutir com os deputados, e, no mesmo dia, protocolei no Palácio. Levei sorte de encontrar Ratinho lá. Ficou de marcar reunião, não sabemos de que maneira pode ajudar nessa briga. Estamos discutindo com o Ministério Público e entrando com dissídio", informa Nelsão.


Articulação parlamentar


O metalúrgico comenta também que procurou deputados federais, caso de Gleisi Hoffmann e Tadeu Veneri, do PT, além de deputados estaduais, caso de Arilson Chioratto (PT), uma vez que julga inaceitável a empresa alemã não negociar as pautas do movimento paredista.


"Essa empresa já recebeu R$ 24 milhões em isenções do governo, passei para o Ministério do Trabalho. São 68 plantas em 24 países, empresa de componentes transnacional, pagando um piso menor no país", critica.


Repressão brutal


Por duas vezes, durante a greve, a repressão foi brutal, reconhece o metalúrgico, mas avalia que a repressão contra o movimento operário tem tido um peso permanente. E cita exemplos. "Nosso advogado foi agredido dentro da delegacia", informa, apontando que o sindicato procurou também a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, dirigida hoje por Professor Lemos (PT), e também a Organização Internacional do Trabalho (OIT), para notificar a matriz da transnacional, que fica na Alemanha.


Nelsão critica as práticas da empresa transnacional, além da repressão para desmobilizar a greve. Isso porque houve contratação de trabalhadores para repor os postos paralisados, numa jogada típica do cinema italiano, de filmes como "Os companheiros".


Uma das maiores greves da História dos metalúrgicos no Paraná


Nelsão da Força afirma que a empresa deveria debater os itens básicos exigidos pelos operários. "Os trabalhadores querem negociação direta pra discutir plano de saúde, vale mercado, igual à cesta básica do Paraná, uma das mais altas do Brasil, além de PLR, que a empresa se nega a negociar com os trabalhadores", denuncia.


Enquanto aguardam posicionamento do Ministério Público e da Justiça do Trabalho em relação ao dissídio, a preocupação "enquanto liderança é que o movimento é pacífico, mas o patrão não quer conversar, trazendo trabalhador para negociar, então pode acontecer o pior", afirma.


Antecedentes e memória de luta


Em 2011, os trabalhadores da fábrica da Volkswagen, na mesma cidade de São José dos Pinhais (PR), realizaram uma das greves mais longas da história da empresa alemã no mundo, ao longo de 37 dias, encerrada após um acordo com a montadora em torno de participação nos lucros e resultados (PLR).


À época, o país vivia um ciclo desde 2004 de aumento do número de greves e ganhos reais nas unidades de negociação. Nos anos 2009 e 2010, por exemplo, ocorreram 964 greves no país, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Foram 518 greves em 2009 e 446 em 2010.


Por hora, 15 anos depois, apesar do bolso e dos sapatos já apertados, os trabalhadores seguem num acampamento na frente da Brose, com apoio do sindicato, revezando a presença entre os grevistas e sindicalistas.


O tempo fica mais apertado. A paciência das famílias e o cansaço dos operários, também.


O metalúrgico comenta também que procurou deputados federais, caso de Gleisi Hoffmann e Tadeu Veneri, do PT, além de deputados estaduais, caso de Arilson Chioratto (PT). Foto: Divulgação.
O metalúrgico comenta também que procurou deputados federais, caso de Gleisi Hoffmann e Tadeu Veneri, do PT, além de deputados estaduais, caso de Arilson Chioratto (PT). Foto: Divulgação.

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