O dedinho nervoso
- lazzarimlouize
- 26 de ago.
- 1 min de leitura
por Léa Oksenberg
Quando o dedo indicador apertou a tecla de envio, o estrago estava feito. O comentário era curto, seco e letal sobre o novo chefe: "Pô, pensa que é Deus."

A intenção era apenas desabafar com uma amiga. Mas a mensagem caiu direto no grupo geral de trabalho. A plateia inteira estava a postos: do pessoal da portaria aos diretores de departamento, além do próprio homenageado na primeira fila.
Ele leu imediatamente. A resposta veio na frente de todo mundo, com a indignação de quem teve o ego ferido. Exigiu respeito, postura e decoro. E o pior: com toda a razão. Criticar a chefia já é uma imprudência; fazer isso no mural principal da firma, convocando a torcida toda como testemunha, é pedir para passar vergonha com holofote ligado.
O grupo mergulhou num silêncio absoluto. Ninguém comentou, ninguém mandou figurinha. Não havia explicação no mundo capaz de remendar o desastre. Engoli o resto de dignidade que ainda me sobrava, pedi desculpas públicas e me recolhi à minha insignificância.
Diante do chefe ofendido e da plateia estarrecida, lembrei de Raul Seixas: o diabo é o pai do rock, mas a língua solta é a mãe de todo vexame. A tecnologia ajuda, mas o dedinho nervoso continua sendo o caminho mais rápido para tropeçar no próprio orgulho.




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