O que se sabe até agora sobre os ataques contra o Irã?
- Pedro Carrano
- 28 de fev.
- 3 min de leitura
por Redação Vigília, com agências
O governo dos EUA e o Estado Israel lançaram, neste sábado (28), uma agressão militar conjunta contra o Irã, apesar da negociação diplomática realizada em Omã, entre o governo Trump e o governo iraniano de Masoud Pezeshkian. O aiatolá Ali Jamenei não se encontrava na capital Teerã no momento da agressão.
A imprensa iraniana confirmou explosões nas cidades de Teerã, Qom, Lorestan, Kermanshah, Karaj e Tabriz após o início da agressão militar conjunta de EUA e Israel. O espaço aéreo iraniano está fechado, segundo o porta-voz da Organização de Aviação Civil do Irã.
O Departamento de Guerra estadunidense denominou a agressão de “Operação Fúria Épica”. Num exercício de desestabilização política, Trump instou o povo iraniano a “assumir o controle de seu governo”, o que é um dos objetivos da agressão atual.

Washington descreveu as operações como “massivas e em andamento”, dizendo que visam à destruição das capacidades de mísseis e impedir que o Irã desenvolva armas nucleares.
No entanto, relatórios atribuídos à Agência Internacional de Energia Atômica indicam que o Irã mantém 440,9 kg de urânio enriquecido a 60%, patamar tecnicamente próximo do grau armamentista, embora não equivalente.
Dias antes, navios dos EUA, normalmente atracados no Bahrein, teriam sido dispersados para o mar, como medida de proteção diante da possibilidade de um ataque.
Trump vinha sinalizando o ataque, embora até mesmo o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, tenha declarado que continua se considerando um “cético em relação à intervenção militar” no exterior. Ele criticou as intervenções dos governos democratas. Porém, agora Trump tem feito o mesmo.
Resposta iraniana
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã confirmou o início de uma resposta militar em larga escala à agressão conjunta dos EUA e de Israel, lançando mísseis balísticos contra bases militares estadunidenses em quatro países do Golfo Pérsico.
A base aérea de Al Udeid no Qatar; a base de Al Salem no Kuwait; a base de Al Dhafra nos Emirados Árabes Unidos e a sede da Quinta Frota da Marinha estadunidense no Bahrein foram alvejadas pelos ataques com mísseis iranianos, segundo a agência Fars, citando a Guarda Revolucionária.
Trata-se mais uma vez de um atropelo contra a comunidade internacional e contra as próprias negociações que vinham acontecendo entre os dois países, sediadas em Omã.
Isso porque, no dia anterior, o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr bin Hamad Al Busaidi, que mediou o encontro entre as delegações de Teerã e Washington, havia avaliado que as negociações tinham tido “progressos significativos”.
A autoridade omanense também informou que as discussões em nível técnico seriam retomadas na semana seguinte, em Viena.
Interesses econômicos dos EUA e Israel
Há anos, o Irã é classificado como parte de um eixo contrário aos EUA. Os interesses são econômicos. Entre os quais:
- O Irã produz cerca de 4,6 milhões de barris de petróleo por dia (dados de 2024), o que o coloca aproximadamente na 6ª posição mundial entre os maiores produtores de petróleo do mundo. O Irã contribui com cerca de 4 a 5 % da oferta de petróleo mundial, sendo um dos principais membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).
- O Irã controla parte da costa do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo.
- Impedir que o Irã fortaleça mecanismos alternativos com países como Rússia e China.
- O Irã é peça-chave na chamada “rota terrestre” que liga: Irã, Iraque, Síria, Líbano. Washington quer conter a influência iraniana no Mediterrâneo, os grupos aliados do Irã, e garantir a suposta segurança de Israel.
O mais recente ataque aconteceu em junho de 2025
Em 22 de junho, os EUA se envolveram no conflito com um bombardeio a três instalações nucleares iranianas, uma intervenção que atraiu forte condenação da Rússia, da China e de outras nações.
No dia seguinte, o Irã lançou um ataque retaliatório contra a base militar de Al Udeid, no Catar.
Em 24 de junho, um cessar-fogo entre o Irã e Israel entrou em vigor após 12 dias de hostilidades que deixaram centenas de mortos e milhares de feridos.
Com Haaretz, Opera Mundi, Rondó da Liberdade, Telesur, Resumen Latinoamericano, La Jornada, Blog do Ismael e Brasil de Fato.




Comentários