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Próxima luta de Marcio Kieller é a Câmara Federal

Atualizado: 23 de fev.


Enxadrista, escritor e militante desde o movimento estudantil, presidente da CUT-PR se coloca como pré-candidato a deputado federal


por Pedro Carrano


A trajetória do presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) do Paraná, Márcio Kieller, poderia ser um roteiro de filme. Daqueles com idas e vindas, desde a infância do personagem. Seria também uma dessas histórias de formação e crescimento, uma vez que, como militante, o trabalhador bancário passou por todas as frentes e experiências de luta.


Depois de perder os pais ainda criança, Kieller foi aluno de escola pública e cedo esteve às voltas com o movimento estudantil secundarista. De início, no colégio estadual Leôncio Correia. Desde o começo, o interesse pela comunicação também esteve atravessando sua história. “Fui secretário de comunicação do grêmio estudantil”, recorda.


Mais tarde, o jovem trabalhador ingressou na categoria bancária aos 15 anos, no antigo Banestado, banco público que passou pela privatização no Paraná, num processo de críticas e resistência.


Na universidade, inicialmente, Kieller ingressou na PUC no curso de Pedagogia, no início dos anos 90, o que lhe abriu novas frentes no movimento estudantil e nos trabalhos da juventude. Ele, desde antes, ainda nos tempos de secundarista, ingressou nas fileiras da União da Juventude Socialista (UJS), entidade que atualmente dirige a UNE, ligada ao PC do B. Nessa organização, logo depois, Kieller também passou pela luta pelo impeachment do ex-presidente neoliberal Fernando Collor, em 1992.


“Isso ocorreu bem no ano da ocupação da PUC, fizemos parte desse movimento. Eu já era filiado no PC do B, e fui coordenador da UJS no estado bem na época do impeachment de Collor. Viajei o estado. A ocupação da PUC alcançou o fato histórico de baixar a mensalidade”, lembra.


Em 1993, Kieller passa na UFPR, em Ciências Sociais, e a vida novamente cumpriu aquele roteiro militante: Centro Acadêmico, disputa de Diretório Central dos Estudantes (DCE), integrante da União Paranaense dos Estudantes (UPE). “A direita veio com tudo e ganhou o DCE, montamos a chapa Indignação, resquício da Viração, que vira UJS. Organizamos dois festivais da UFPR de estudantes, com presença de Pato Fu, Alceu Valença”, relembra.


Primeira disputa eleitoral


Tudo isso antecedeu sua militância e de tantos sindicalistas como ele antes do ingresso no Partido dos Trabalhadores (PT). A forma tardia se deve ao que presidente da CUT justifica como um partido que “não tinha uma tradição histórica no movimento estudantil”. Em 1999, filia-se ao Partido dos Trabalhadores (PT), sendo candidato a vereador em 2000, na histórica campanha à prefeitura de Ângelo Vanhoni, praticamente sem estrutura, contando com mosquitinhos impressos, cabelos longos e, ao final, mais de 700 votos. “Eu não era liberado na época pelo sindicato, foi uma relação mais na base, na universidade, uma vez que já havia outros candidatos do sindicato. Eu corri por fora”, recorda.


Tudo isso, para o presidente da Central, significa experiência acumulada. Na CUT, Kieller passou por diferentes postos, de secretário de formação, secretário de movimentos sociais, sendo vice-presidente a partir do Congresso de 2012. "Fiz o meu papel, os bancários ajudaram muito, estão entre as categorias estruturantes da CUT Paraná, ao lado de vários ramos como construção civil e pesada, agricultura familiar, petroleiros, entre outros”, enumera.


Experiência na Comunicação e o desafio da “abordagem”


Durante o período da prisão do ex-presidente Lula, no ano de 2018, Kieller participou de uma iniciativa em conjunto entre a CUT, o jornal Brasil de Fato Paraná, a Frente Brasil Popular e a Mídia Ninja, que foi o surgimento do programa “Quarta Sindical”, entrevistando lideranças do meio, em plena Casa da Democracia, um dos espaços de organização e resistência no entorno da Polícia Federal.


Havia uma programação de entrevistas diárias na Casa, e o Quarta Sindical foi justamente o dia da semana para entrevistas lideranças do mundo do trabalho, visitantes na Vigília, líderes trabalhistas que visitaram o presidente nos tempos do cárcere. Mais tarde, durante a pandemia, o programa tornou-se online, em parceria entre CUT e o BDF Paraná, com apresentação de Kieller e da jornalista Ana Carolina Caldas.


“Sempre acreditei na comunicação, na nossa perspectiva, precisávamos saber como fazer a abordagem, discussão que sempre me preocupou. Uma questão da escala 6 x 1, que nada mais é que a pauta da redução da jornada de trabalho. Como os veículos novos colocaram o tema, a partir do movimento VAT, e não conseguimos convencer? Porque no Tik Tok estamos perdendo”, afirma.


A hora para Kieller é agora


Kieller defende a pré-candidatura à Câmara Federal como um movimento nacional, que visa a fortalecer a pauta trabalhista naquele espaço marcadamente elitista. Valorização do salário mínimo, pauta dos trabalhadores por aplicativo e mesa de negociação com o Ministério do Trabalho conformam o tripé nacional junto ao atual governo Lula e que o sindicalista quer valorizar.


“A maioria das categorias e a minha própria trabalham com temas nacionais, pautas mais gerais, caso da valorização do salário mínimo, fruto do processo que tivemos de construir mesa com Ministério do Trabalho”, cita.


A tarefa? Gigantesca. Kieller em meio a um sistema político refém do capital e do financiamento privado de campanhas. “A representação dos trabalhadores é sempre pequena. Poucos oriundos do movimento sindical, não chega a 7% isso, então está na ordem do dia termos candidatos ligados à classe trabalhadora. Afinal, quem efetivamente compra as pautas sindicais?”, questiona.


Na entrevista com a Vigília Comunica, Kieller aposta numa boa votação na esquerda para a Câmara Federal, desde que com uma chapa forte, de maneira que a chapa alcance, no geral, cerca de um milhão de votos. No seu caso, aposta na construção com sindicatos e candidaturas municipais do interior.


“Temos que entrar no processo com bastante consciência, temos capilaridade, corremos o estado, durante esse processo todo, dez anos rodando o estado, fazendo a discussão do mundo do trabalho e sindical, temos que ter essa clareza, para ajudar a chapa, contribuir para que o partido possa ampliar o quadro de parlamentares, montando uma bancada forte. Quero estar nela, se possível”, vaticina.


No mais, quem quiser achá-lo, pode marcar um encontro para um xadrez, que Kieller já enfrentou de amigos a campeões da modalidade no Paraná. “Sou ofensivo, o que me às vezes me prejudica nesse processo”, admite. O sonho, confessa, é em breve uma partida contra o atual deputado estadual Renato Freitas (PT), enxadrista desde a juventude.



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