Ratinho abriu mão de R$ 132 bilhões em impostos durante seu governo, aponta levantamento
- Vigília Comunica

- 25 de fev.
- 2 min de leitura
por José Pires
Um levantamento realizado pela agência Livre.Jor indica que, ao longo dos oito anos da gestão de Ratinho Júnior (PSD), o Estado do Paraná deixou de arrecadar cerca de R$ 132 bilhões em impostos por conta de conceções de benefícios fiscais. A análise utilizou documentos encaminhados pelo Executivo à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) por meio de anexos das Leis de Diretrizes Orçamentárias (LDOs) entre 2019 e 2026.

Atualizado pela inflação, o valor das renúncias fiscais é de R$ 148 bilhões. Segundo o levantamento, a maior parcela da queda de arrecadação está ligada ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), tributo embutido no preço de itens como alimentos, energia elétrica e combustíveis. Em 2019, o Paraná deixou de recolher cerca de R$ 9,59 bilhões em ICMS. Para 2026, a projeção é de R$ 21,55 bilhões, alta de 124%.
Os incentivos relativos ao IPVA também cresceram de R$ 878 milhões em 2019 para R$ 1,19 bilhão estimado em 2026, aumento de 36%.
Os incentivos fiscais acontecem por meio de redução de alíquotas, concessão de créditos presumidos, isenções parciais ou totais e prorrogação de programas de incentivo. Entre 2019 e 2026, os maiores aumentos percentuais de benefícios ocorreram nos setores de tabaco (1.666%), higiene pessoal (864%), químico (637%), veículos para pessoas com deficiência (588%), construção civil (533%) e cosméticos (389%).

Em 2025, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese-PR) divulgou outro estudo, baseado em dados da Secretaria da Fazenda estadual, sobre os incentivos concedidos entre 2022 e 2024. O relatório indica que, neste período, o Paraná abriu mão de R$ 59,6 bilhões em receitas tributárias.
O Dieese também aponta forte concentração de isenções em um grupo restrito de grandes empresas. Apenas 23 delas receberam 22% de todos os incentivos concedidos em 2024, o equivalente a R$ 4,4 bilhões. Entre elas estão a Lar Cooperativa Agroindustrial (R$ 470,4 milhões), a BRF S.A. (R$ 374,3 milhões), a Frimesa Cooperativa Central (R$ 302,6 milhões) e a Gonçalves & Tortola S.A. (R$ 287,6 milhões) em tributos não recolhidos.
O levantamento completo está disponível no site da Livre.Jor.




Comentários