Thiago Bagatin lança pré-candidatura ao Senado pelo Psol
- Pedro Carrano
- 17 de mar.
- 5 min de leitura
Professor, conhecido pela entrevista na praia quando falou de “Bolsonaro preso”, aposta que pode ser a segunda opção da esquerda ao lado de Gleisi Hoffmann
Por Pedro Carrano

Talvez você seja uma daquelas várias pessoas que vibrou quando, no dia primeiro de janeiro, um repórter televisivo decidiu entrevistar veranistas, em Caiobá, litoral do Paraná, e foi surpreendido com a fala de Thiago Bagatin, que estava com sua boina, ao lado da família, curtindo a virada de ano: “Sol, mar gostoso e Bolsonaro preso, não há nada melhor que isso”. Thiago lacrou.
Porém, ele já possuía um histórico consistente tanto de lutas sociais como de vídeos publicados nas redes sociais. Assim mesmo, a repercussão daquela curta fala ao acaso foi imediata, transformando-se quase em palavra de ordem, impressão de camisetas e muitos, muitos compartilhamentos nas redes sociais. O comentário imediatamente viralizou e triplicou o número de seguidores de Thiago para 155 mil pessoas no Instagram.
Militante orgânico e integrante do agrupamento fundador do Psol no Paraná, ainda em 2005, na condição de estudante de Psicologia, ele já foi candidato noutras ocasiões a deputado estadual e também teve votação expressiva para vereador.
Hoje, atua na corrente Primavera Socialista. Thiago confessa à reportagem da Vigília Comunica que, ultimamente, estava mais inclinado a aproveitar seu trabalho nas redes sociais para impulsionar outras lutas. Movimento Indígena. Luta antimanicomial. Em defesa da Universidade Pública. Entre outras bandeiras.
Mas o vídeo que rompeu a bolha gerou procura por vários agrupamentos, tanto no interior do Psol como fora dele. Mudou, então, o rumo do barco e o dos projetos de Thiago.
“Já fui candidato a vereador e deputado, já cumpri meu papel de formação inicial no Psol. Meu objetivo na eleição está no sentido de construção do partido, construção de pauta. Mas outras candidaturas já estavam cumprindo melhor que eu esse papel. Ao (líder indígena da Retomada Piraquara) Eloy Jacintho, eu disse que queria ser um instrumento para auxiliar a esquerda. Porém, o dia primeiro de janeiro mudou muita coisa”, relata.
Professor de lutas públicas
À pergunta inicial da entrevista, “Qual é a sua luta?”, Bagatin responde que hoje, na condição de professor da UFPR, “é inevitável lutar por políticas públicas de qualidade, ciência e pesquisa. Minha pré-candidatura ao Senado tem esse sentido de realmente defender a Soberania Nacional, pensando nas instituições públicas”, expõe.
O professor hoje está no departamento de Saúde Coletiva, o que também o conduz ao debate em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) de qualidade. Bagatin já atuou também como psicólogo social, que é a sua formação, com trabalhos realizados no Complexo Médico Penal, como psicólogo do Estado, entre outras experiências.
Das bandeiras que o marcam e orientam, uma das mais enfáticas é a relação com o movimento indígena, em especial com as comunidades guarani. Thiago foi batizado em ritual com o nome de Wera Djekupé (veja abaixo o significado), além de sempre abrir escuta com lideranças religiosas em comunidades como a Araçaí – região metropolitana de Curitiba.
Apoio e formação
Neste momento, seu apoio está concentrado na recente ocupação Ka’aguy Mirim, de 25 pessoas em Matinhos, surgida em dezembro, que recebe mutirões e atividades organizadas a partir da Universidade.
No marco da campanha Despejo Zero no Paraná, as retomadas indígenas têm sido importantes experiências de organização e luta pela terra. “Tenho história de diálogo com o movimento indígena. Me considero um indigenista, um apoiador do movimento”, enfatiza.
Por sua vez, outra luta que faz parte da sua construção e que ganhou importância - e polêmica – no último período, devido aos ataques contrários da extrema direita, é a luta antimanicomial, bandeira que, Bagatin afirma, “me formou enquanto ser humano”.
Em que pesem as dificuldades do debate nas redes sociais, onde predomina o senso comum, o psicólogo expressa uma opinião firme sobre o tema, contrário à internação compulsória que vem sendo praticada como política pela Prefeitura de Curitiba:
“Não é possível alguém ser obrigado a algo que não quer fazer. Toda a perspectiva que a gente conhece, de fechamento, isolamento e exclusão da pessoa já é uma violação. Fazer algo contra o que se quer, não é efetivo”, aponta, colocando que uma rede de atenção psicossocial carece de investimentos no Brasil inteiro, e numa capital como Curitiba há a metade dos CAPS - Centros de Atenção Psicossocial - necessários.
“Não sou influencer”
O episódio na praia, no dia primeiro de janeiro, rendeu a Bagatin até hoje seguidores, mensagens e busca por grupos organizados que ele sequer imaginava. Na realidade, seu trabalho nesse certame se consolidou em 2018, a partir de uma trend feita pela filha, postando que o pai votava no PT. O vídeo teve alcance e hoje Bagatin produz vídeos para Tik Tok e Instagram. “Vídeos curtos que dialogam com um público que a esquerda não dialoga”, explica.
Porém, ele é incisivo em afirmar que, entre a militância numa frente de atuação e o foco nas redes sociais, Bagatin diz que para a sua campanha o primeiro quesito é fundamental.
“Não sou influencer, não me considero. Para mim é só um instrumento. Vejo que falta no ativismo de rede social a leitura política de movimento de base, que não tem uma formação marxista. A pergunta é qual é o sentido da candidatura, não é só para ganhar voto, mas um instrumento para dar voz a alguma perspectiva revolucionária de esquerda. Taticamente podemos usar a rede social, falar com linguagem mais acessível, com foco na eleição do Lula”, aponta.
Eleição e missão política
O professor e militante do Psol lança sua pré-candidatura na mesma semana que Gleisi Hoffmann, ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência, um dos principais nomes nacionais do partido e da militância, lança sua pré-candidatura pelo PT.
Bagatin defende sua candidatura como nome necessário para a segunda vaga ao Senado. Na sua defesa, um nome de centro como segunda aposta contaria com o voto da esquerda, porém não traria votos para o campo progressista. Portanto, ele defende como necessidade estratégica o seu nome para o Senado e não uma aposta de centro - o que somaria para a esquerda.
“Se quisermos aprender algo com o golpe contra a Dilma (2016) apoiar o centro é um erro estratégico, uma vez que não está vinculado às pautas progressistas. Os três nomes atuais do Senado (Moro, Arns e Oriovisto) votaram para reduzir a dosimetria das penas da tentativa de golpe de Bolsonaro (…) Que imagem que fica?”, questiona.
Em resumo, acredita que a disputa ao Senado pode trazer os debates necessários às lutas e contribuir com a estratégia. Um canal e uma voz, pelo que se mostrou aqui, sua pré-candidatura já é.
“Pelo que o Tchamói (líder espiritual) falou eu seria uma espécie de guardião da cultura Guarani, que se utilizaria da palavra para defender os indígenas”, rememora.
Frase - Futuro do Psol
“O Psol nasce como oposição de esquerda, desde 2005 até 2016, mas se apresentou uma conjuntura que não nos permite mais ser oposição, temos que ter unidade de ação, pautas em comum, inclusive o Psol conseguiu influenciar um giro à esquerda do governo Lula 3, com pautas antes impensáveis, caso do fim da escala 6 por 1, isenção de imposto de renda, projetos de lei taxação de grandes fortunas, são pautas que sempre foram do Psol. Nossos aliados não são a burguesia, e há um clima mais propício para a unidade”, reflete.




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