Comunidade escolar resiste ao fechamento de turmas em Curitiba
- Vigília Comunica

- 29 de jan.
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Por Luis Lomba
A comunidade escolar do Colégio Estadual Nirlei de Medeiros vai pra rua nesta quinta-feira (29) em protesto contra o fechamento de turmas pelo governo Ratinho Jr. A partir das 17 horas mães, pais e estudantes vão se reunir em frente ao colégio (rua Antônio Bertoldi, 409, no bairro Campo do Santana) para denunciar publicamente a medida autoritária e injusta da Secretaria da Educação.
O fechamento de turmas afeta diretamente a vida de gente como Paula M, que tem filhos matriculados no Nirlei de Medeiros. A filha dela foi transferida arbitrariamente do turno da noite para o da manhã, sem qualquer consulta ou diálogo com a família. “No ano anterior ela estudou à noite. Agora ela vai pro segundo ano (Ensino Médio) e só vai poder estudar de noite quem trabalha de dia. Só que ela não está trabalhando ainda, porque é menor aprendiz. Aí fica complicado”, conta a mãe, moradora da Vila União, comunidade periférica do Tatuquara, em Curitiba.
O fechamento de turmas de fato complica a rotina das famílias dos estudantes. O que para o governo Ratinho Jr é apenas uma medida administrativa, atrapalha o dia a dia dos trabalhadores e seus filhos. “Quem tem compromisso, de fazer curso ou cuidar dos irmãos pra mãe trabalhar, não vai mais poder ter a escolha de estudar à noite”, explica Paula. Ela lamenta que os estudantes sejam desestimulados a ir para a escola e sejam jogados precocemente no mercado de trabalho. “Eles precisam de incentivo para estudar e querem obrigar a trabalhar. Eu penso que minha filha teria que primeiro estudar para depois trabalhar”, diz.
O Núcleo Sindical Curitiba Sul da APP-Sindicato aponta que, segundo a comunidade escolar, das 23 turmas noturnas do Nirlei de Medeiros apenas nove serão mantidas. “Estamos realizando um levantamento para precisar quantas turmas de ensino noturno estão sendo fechadas em nossa Região. Já sabemos que existem outras com situação parecida com a do Colégio Nirlei Medeiros. Até aqui, oito escolas já declaram ter perdido turmas. Ao todo elas perderam 34 turmas, especialmente no período da noite”, afirma o Núcleo em suas redes sociais.
O desmando do governo Ratinho Jr motivou o Coletivo Educare a emitir nota condenando o desmonte da educação noturna na rede pública paranaense. “A drástica redução de turmas e escolas noturnas exclui milhares de trabalhadores estudantes, violando seu direito constitucional à educação. Essa política nega o dever do Estado de garantir acesso e permanência, forçando muitos a abandonar os estudos”, diz a nota.
“Exigimos a suspensão imediata dos fechamentos, transparência nos critérios e um plano de fortalecimento da EJA e Ensino médio regular e técnico noturno, com participação da comunidade escolar. Convocamos a sociedade a se mobilizar. Educação noturna não é favor; é direito. Defender a escola noturna é defender a dignidade do povo trabalhador. Basta de fechar portas! Pela garantia do direito de trabalhar e estudar!”, segue a nota do coletivo.
Além de fechar turmas nas cidades do Paraná, Ratinho Jr ataca também a educação no campo. Ele já fechou 40 escolas e outras sete estão ameaçadas, segundo a Articulação Paranaense para uma Educação do Campo (Apec/PR). No início deste ano, a Vara da Infância e Juventude de São José dos Pinhais determinou ao governo estadual que reabra as turmas noturnas do Colégio Estadual do Campo Professora Kamila Pivovar da Cruz, que fica em Tijucas do Sul. O fechamento de turmas prejudicava 108 estudantes e foi feito sem consulta à comunidade escolar.









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