Nenhum ataque contra a Venezuela e o povo venezuelano é aceitável
- Vigília Comunica

- 23 de dez. de 2025
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por Pedro Carrano
Não, nenhum argumento é aceitável em defesa da invasão de Trump contra a Venezuela e o povo venezuelano.
Nunca se trataria de uma ação para derrubar a “ditadura” de Maduro, mas sim a ganância dos EUA pelas reservas de petróleo e por derrubar qualquer governo independente, como já fizeram no Iraque, Líbia, Síria, entre outros países, durante vinte anos.
Como estratégia comum, diferentes governos dos EUA – democratas, republicanos e, agora, trumpistas -, nunca aceitaram passivamente os governos bolivarianos na Venezuela. Uma das primeiras tentativas de golpe de Estado aconteceu em 2002, contra o presidente Chávez, num consórcio entre EUA e empresários petroleiros.
Para quem não conhece ou tem críticas aos governos bolivarianos, a História mostra que não se pode ignorar que a eleição de Chávez rompeu o chamado Pacto de Punto Fijo, uma espécie de bipartidarismo conservador que atravessou o século vinte na Venezuela, mantendo a renda petroleira concentrada nas mãos de poucos.
O governo Chávez foi expressão da revolta da população contra o neoliberalismo. Ainda em 1989, o Caracazo foi uma mobilização de massas que conheceu a repressão. Em 1992, veio o levante de um segmento do exército nacionalista, liderado por Chávez, que ganha legitimidade aos olhos da população mais pobre. Chávez é preso, mas sua figura cresce como líder político.
Essa luta desagua nas eleições de 1998. A partir da vitória eleitoral, nos anos seguintes, Chávez desperta o sentimento nacional e bolivariano no exército; convoca os trabalhadores para participação política e militar, por meio das comunas, além da participação econômica, com o fortalecimento da PDVSA. Chávez praticou o internacionalismo solidário, enquanto houve condições para isso, aproximando-se e auxiliando os países dependentes;
Porém, a reação não se limita a 2002. A história do bloqueio contra o governo bolivariano e contra todo o país tem um episódio em dezembro de 2014, quando o Congresso dos EUA aprovou a Lei de Defesa dos Direitos Humanos 113-278, que previa a aplicação de sanções contra os venezuelanos.
No ano seguinte, a ofensiva do governo dos EUA se intensificou, com Ordem Executiva do governo Obama, declarando o país sul-americano como uma “ameaça inusual para a segurança interna do Estados Unidos”.
O governo Trump, em 2019, aplica bloqueio econômico completo, no mesmo ano quando ocorre a desestabilização do país pela oposição de direita, com a violência das chamadas “guarimbas”.
Agora, no contexto de recuperação econômica da Venezuela, Trump tenta retomar o controle sobre o continente, por meio do mar do Caribe, lança uma provocação contra a Rússia, parceira estratégica de Caracas, mobiliza um contigente de estrutura, soldados e equipamentos de guerra apontando um cerco de longo prazo. Aposta na guerra híbrida do duplo discurso: saqueio 1,9 milhões de barris acusando o país de crime. Fala em combate ao crime organizado.
A Venezuela representa hoje a trincheira que divide dois blocos, como foi a Espanha na década de 30 no século vinte.
De um lado, o imperialismo dos EUA, de outro o bloco China e Rússia ganhando espaço no cenário mundial. O povo venezuelano está organizado e preparado contra ataques, mas a guerra seria uma catástrofe e os povos do mundo têm que gritar em alto e bom som: deixem a Venezuela em paz!









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