Quem foi Berta Cáceres e qual a importância dessa ativista?
- Vigília Comunica

- 2 de fev.
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Há dez anos do feminicídio da dirigente popular de Honduras, memória de Berta ainda é marcante
Por Pedro Carrano, com Telesur
Em 2026, o Banco Central de Honduras apresentou a nova nota de 200 lempiras, que, pela primeira vez, exibe o rosto de uma mulher: Berta Cáceres, a líder indígena contra mineradoras transnacionais, assassinada por defender o rio Gualcarque contra o projeto hidrelétrico de Agua Zarca.
A nova nota deve circular junto com a anterior, mantendo o mesmo valor e poder de compra, e já está disponível no sistema bancário nacional.
Mas foi Berta Cáceres? A homenagem se dá quando se completam dez anos do assassinato, hoje comprovado, de uma das maiores militantes da luta do povo latino-americano.
Por sua vez, o Conselho Cívico de Organizações Populares e Indígenas de Honduras (COPINH), organização de Berta, que eu pude conhecer a força social em 2005, quando voltava pela América Central após uma temporada no México, declarou que “a nota de 200 lempiras agora traz o rosto de Berta. Mas esse reconhecimento não pode ser dissociado da verdade, do caso de Berta Cáceres”.
Por sua vez, reconhecendo o feminicídio político de sua filha, Austra Flores, mãe da ativista, expressou seu orgulho por esse reconhecimento.
Na visão de Antonio Goulart, militante da organização Consulta Popular, que esteve várias vezes em países da América Latina, teve a chance de conhecer a influência e ativismo de Berta contra a política das transnacionais no continente.
“Era uma militante, dirigente, incansável, reconhecida em cada canto de Honduras. Eles não gostavam muito, mas, mesmo rejeitando a classificação, era o leninismo em pessoa, vanguarda, profunda conhecedora do seu povo e de seu território, a mescla do indígena, da militante, da mulher, do latino, da terra, combateu e deu sua própria vida, pelo seu povo e sua terra, as mineradoras e seus interesses sabiam que tinham pela frente uma mulher gigante de disposição”, recorda.
O caso Berta Cáceres
O Grupo Interdisciplinar de Peritos Independentes (GIEI), criado há quase um ano em Honduras pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), apresentou um relatório em 13 de janeiro concluindo que o Estado hondurenho (representado pelo ex-presidente Juan Orlando Hernández, acusado de narcotráfico nos EUA, porém liberado por Trump) tinha conhecimento prévio do plano para assassinar Berta Cáceres em 2016 e não agiu para impedi-lo.
O grupo afirmou que “o assassinato de Berta Cáceres era previsível e evitável” e que as autoridades “falharam em ativar mecanismos de proteção ou em efetuar prisões em tempo hábil”, o que constitui uma “grave violação do dever de diligência” e permitiu a ocorrência de um crime evitável.
Os dados apresentados pelo GIEI mostraram que o crime foi financiado com recursos do projeto hidrelétrico de Água Zarca. Segundo o documento, aproximadamente 67% dos fundos do projeto — cerca de US$ 12,4 milhões — foram desviados ou apropriados indevidamente por meio de um esquema sistemático que incluiu transferências injustificadas, uso de dinheiro em espécie e manobras para burlar os controles de lavagem de dinheiro.
“Inquebrantável, nem sua a morte iria pará-la, sua chama segue viva entre os seus e todo território do continente, naõ só de Honduras, aqui e irmãos da Argentina, Uruguai, Peru, Venezuela sempre recorrem à memoria de Berta Carceres”, relembra.









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