Rosa do Povo leva militância e cultura para a avenida em Curitiba
- Vigília Comunica

- há 4 dias
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Por Luis Lomba
Inclusão, cultura e movimentos sociais entram juntos na avenida em Curitiba neste domingo (15), durante o desfile da Rosa do Povo no carnaval de rua da capital paranaense. É a estreia da escola, que vai apresentar o enredo Nasce uma Rosa na Curitiba de Todos os Povos. “A Rosa nasceu da união de pessoas amantes da cultura, com pensamento alinhado e progressista. Nós viemos da rua, da quadra, do barracão, do batuque, da luta. Como diz o poema que nos inspira, de Carlos Drummond de Andrade, uma flor nasceu na rua! E essa flor tem nome, ritmo e cor: Grêmio Cultural Escola de Samba Rosa do Povo”, afirma o mestre de bateria, Sesóstris Oliveira.
Lembrar dos esquecidos e valorizar os excluídos é parte dos princípios da Escola. “Somos um polo de resistência artística, de formação comunitária, de resgate das culturas negras e populares. Trabalhamos nas ocupações urbanas, nas comunidades esquecidas nos bairros periféricos, nos corações que acreditam no poder transformador do Carnaval”, explica Sesóstris. “Nosso princípio é a valorização do povo, com protagonismo de quem constrói a cultura com o corpo e com a alma”, completa.
A Escola congrega as comunidades Rio Negro, em Araucária; Dona Cida, Nova Primavera e Tiradentes, em Curitiba; e Nova Esperança, em Campo Magro. Também participam pessoas de todas as partes e grupos sociais de Curitiba. Eles não têm uma “quadra” fixa e ensaiam na Sociedade 13 de maio, nas Ruínas do São Francisco e nas comunidades.
Depois de meses de dedicação, está chegando a hora da verdade na avenida. “Nossa expectativa para o primeiro desfile é fazer o nosso melhor dentro das condições que tivemos. Como iniciante recebemos metade da verba das demais do grupo de acesso. Mas mesmo assim estamos nos dedicando muito em todos os setores que compõem o desfile e vamos com muita vontade e determinação. A comunidade da Rosa está muito unida. Iremos com cerca de 350 componentes”, diz Sesóstris.
“Somos uma Rosa que nasce com raízes na fé de que a beleza pode florescer mesmo no asfalto mais duro. E floresce embalada pelos tambores de Martinho da Vila, que nos lembra que o povo negro, mestiço, comunitário e periférico é protagonista da História do Brasil e do samba”, define o mestre de bateria.
O ritmo do desfile fica por conta da bateria integrada majoritariamente por ex-alunos de Sesóstris. Muitos são integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. “Eu comecei um trabalho com o MST em 2019 atuando como professor do curso de música para a juventude do movimento. Desde então já os convidei para o Carnaval. Eles participaram comigo em outra escola e agora a parceria segue firme na Rosa”, explica o mestre.
A inclusão social na Escola se explicita também na participação de deficientes visuais, que vão compor uma ala no desfile. “Nós temos uma parceria com o IPC, que é o Instituto Paranaense de Cegos. Essa parceria veio através da influência de pessoas que dirigem a escola, que é o caso do Paulo (Bearzoti Filho) e da Sueli (Fernandes), que é chefe de ala e professora de Libras na Universidade Federal do Paraná”, conta Amanda Koiv, Rainha da Rosa do Povo. “A Sueli tem essa ligação com o Instituto Paranaense de Cegos e trouxe isso para nós, possibilitando tornar a inclusão um dos pilares da nossa escola”, acrescenta.
Com o enredo Nasce uma Rosa na Curitiba de Todos os Povos, a escola levará cerca de 350 componentes à avenida. O samba vai percorrer a formação histórica de Curitiba, desde os povos originários até a presença africana, passando por colonizadores e imigrantes, celebrando a diversidade étnico-racial da capital paranaense.
O nome da agremiação foi inspirado no livro do poeta Carlos Drummond de Andrade, a Rosa do Povo, que tem o lema “Uma flor nasceu na rua!”. A escola nasceu da formação comunitária e do resgate da cultura negra e popular, defendendo a ideia de que, assim como a beleza pode brotar no asfalto, o samba floresce nos territórios e nas lutas cotidianas.
O desfile do Grupo de Acesso começa às 21h45 de domingo (15) e a primeira escola a entrar na avenida será a Rosa do Povo.









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