A força da literatura da curitibana Giovana Madalosso
- Vigília Comunica

- 18 de jan.
- 2 min de leitura

por Pedro Carrano, da Vigília Comunica
A curitibana Giovana Madalosso é das principais romancistas brasileiras hoje. Nascida em Curitiba, em 1975, começou sua carreira como contista, tendo antes passado por redações publicitárias. Sua construção se desdobra para a ação, uma vez que foi agitadora também de movimento que já reuniu centenas de autoras em diferentes cidades brasileiras.
Trabalhos seus como “Tudo pode ser roubado” (editora Todavia, 2018, 189 páginas), bem como publicações que vieram depois, a exemplo de “Suíte Tóquio” (Todavia, 2020) são marcados por um traço feminista, por personagens proativas e dispostas a desconstruir o olhar masculino, sempre com ironia afiada: “Não tem muito que a gente possa fazer contra a nossa natureza. Não tem porque a preguiça também faz parte dela”, página 35.
Tudo pode ser roubado, de certa forma, é um encontro do moderno, inserindo na trama o diálogo com uma obra clássica. A narrativa é centrada numa garçonete que vive em São Paulo, na região da Avenida Paulista. Além de trabalhar no restaurante, ela rouba objetos de valor dos clientes durante encontros com homens e mulheres para juntar dinheiro. Mas então ela recebe uma proposta inusitada de um desconhecido: roubar um livro raro — a primeira edição de O Guarani de 1857, de José de Alencar — em troca de uma grande quantia de dinheiro.
O texto de Madalosso é de narrativa ágil e segura, frequentemente transitam entre humor ácido e reflexões sobre a vida contemporânea, o que não quer dizer que não deixe espaço também, em meio à frenética vida das metrópoles, para algo de ternura, como conclui a personagem de Tudo pode ser roubado: “Já deitei na cama de sei lá quantos desconhecidos, já tirei a roupa na frente de pessoas de quem nem sabia o nome, mas nunca tinha fechado as pálpebras ao lado de outra pessoa”, página 132.









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