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O inventivo texto de Roberto Prado

Seleção de poemas é um panorama de sua obra e também das características de uma geração


por Pedro Carrano


É irrecusável: a literatura, sobretudo a poesia de Paulo Leminski, deixou marcas perenes na literatura curitibana e brasileira.


A síntese entre a linguagem curta, a propaganda, o hai kai zen japonês abrasileirado, a canção tropicalista, e a visão lúdica e brincante da linguagem, garantiram um verso com capacidade de diálogo com as massas.


Esse contexto abriu portas pro trabalho de uma geração criativa, alguns já não estão aqui entre nós, mas é certo que Alice Ruiz, Adriano Smaniotto, Roberto e Marcos Prado, Neuza Pinheiro, Ricardo Corona, pra citar apenas alguns dos principais, entre tantos, que também beberam dessas contribuições e dessa matriz poética.


No caso de Roberto Prado, a coletânea Tudo até Agora (Máquina de Escrever, 2025 - @editoramaquinadeescrever) surpreende pela quantidade e qualidade de textos.


Seu foco é a poesia rarefeita, sem qualquer referência temporal ou histórica, com referências ao trabalho obstinado de linguagem, à filosofia, à linguagem popular, à música.Há versos de qualidade e inventividade, bem como em alguns momentos uma certa displicência.


O que não impede, de forma geral e predominante, de lhe atribuir uma construção própria de linguagem, mesmo caminhando pelo perigoso legado de Leminski, porém conseguindo apresentar originalidade e marcas próprias.


O papel da arte pelo lúdico é um papel transformador, em tempos de mero consumo fragmentado e rápido."Ninho esta vida leve no bico Viva de brisa o papo sozinho Estações, aqueçam seu poeta Primaveras, passem com carinho", página 48.

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