Bolsa Família estrutura orçamento e consumo, afirmam famílias
Além disso, reajuste atual aquece economia, consumo e renda dos beneficiários
por Pedro Carrano

Denise atualmente trabalha trabalha com reciclagem, tem três filhos, sendo que mora com um deles. Trabalhava numa empresa de limpeza, como diz, e, uma vez desempregada, passou a recolher materiais recicláveis.
Na comunidade onde vive, a Vila Pantanal, no bairro Alto Boqueirão, na periferia de Curitiba, Denise convive com alagamentos e cheias periodicamente.
Para famílias como a de Denise, uma política pública de transferência de renda e proteção social como o Bolsa Família é essencial, uma espécie de vértebra do orçamento familiar. Algo que fornece segurança e permite manter os filhos na escola.
O reajuste recentemente anunciado pelo governo Lula para o BF é de 15,04%, com efeito financeiro a partir de outubro de 2026.
A medida – que recebeu críticas da oposição ao governo e de segmentos midiáticos -, simplesmente recompõe a inflação acumulada de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), no período entre março de 2023 e agosto de 2026. Trata-se, além disso, de um reajuste nominal e não de um aumento real (acima da inflação) desse benefício social.
Com isso, o benefício mínimo passa de R$ 600 para R$ 691, e o benefício médio, de R$ 675 para R$ 777. O governo federal estima um custo adicional de R$ 5,8 bilhões em 2026 e cerca de R$ 22,7 bilhões em 2027. No Brasil, mais de 19 milhões de pessoas acessam diretamente o programa, mas que tem abrangência maior ainda no impacto sobre a sociedade.
De acordo com a Central Única dos Trabalhadores (CUT), e segundo pesquisas de diversos institutos econômicos, a lógica usada é a estimativa de que cada R$ 1 (um real) adicional transferido pelo Bolsa Família gera R$ 2,40 em consumo e R$ 1,78 em Produto Interno Bruto (PIB). A professora Marilane Teixeira, da Unicamp, confirmou esse cálculo para o reajuste anunciado.
Gasto público ou política pública?
Do ponto de vista objetivo, é fato que esses valores representam uma indução da economia brasileira, contribuindo em aspectos como o aquecimento do consumo, geração de renda, trabalho e, sobretudo, no consumo das famílias ligado a itens de alimentação.
Em época de crise mundial, aumento do preço do petróleo, é um fator de estabilidade econômica no Brasil.
Paola, moradora do Tatuquara, tem o Bolsa Família como importante aporte para manter os dois filhos no estudo. “Importante, eu tenho duas crianças, vou com elas ao mercado fazer compras, o Bolsa Família ajuda a comprar itens que eles precisam, meia, tênis para ir a escola. Com isso, mantenho os filhos estudando, afirma.
De acordo ainda com a CUT nacional, o critério de acesso ao Bolsa Família é renda per capita até R$ 218. Quando as famílias ultrapassam esse valor até o limite de renda de R$ 706 por pessoa, elas seguem no programa por um período de transição (de até 12 meses), recebendo 50% do benefício.




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