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Educadores fazem vigília em Curitiba e anunciam possibilidade de greve semana que vem

por Luis Lomba


Educadores de todo o Paraná estão em vigília na Praça Nossa Senhora da Salete, em Curitiba, para dialogar com a população e pressionar o governador Ratinho Jr. a negociar as pautas da campanha salarial da categoria. “Estamos aqui e se não tivermos resposta, na segunda-feira (23) as escolas estarão fechadas”, explicou a professora Walkiria Mazzeto, presidenta da APP-Sindicato.


Presidenta da APP-Sindicato Walkiria Mazzeto. Foto: Joka Madruga/Vigília Comunica
Presidenta da APP-Sindicato Walkiria Mazzeto. Foto: Joka Madruga/Vigília Comunica

Professores e funcionários de escola reivindicam que o governador envie projetos de lei atendendo demandas da campanha salarial até o final deste mês. “Nós temos um prazo curto, então precisa estar na Assembleia Legislativa o projeto de lei no máximo dia 30 ou 31 de março, que deve ser votado até 4 de abril, pois há prazos legais a cumprir em ano eleitoral. Por isso é importante a nossa mobilização. Todos precisamos fazer pressão nos deputados, na liderança do governo, nos secretários de estado, para que o governador ouça a nossa pauta”, resumiu Natália dos Santos Silva, secretária geral da APP.


Professora Natália. Foto: Joka Madruga/Vigília Comunica
Professora Natália. Foto: Joka Madruga/Vigília Comunica

A categoria aprovou greve em assembleia, realizada no início de março, autorizando a direção sindical a interromper os trabalhos a qualquer momento.


Enquanto os servidores ocupam uma tenda na praça entre o Palácio Iguaçu e a Assembleia Legislativa, as lideranças sindicais articulam com as políticas. “Estamos indo de gabinete em gabinete. A nossa tarefa aqui esses dias é que os deputados entendam a nossa proposta, que ela é factível, que ela é viável e que só falta o governador enviar para a Assembleia Legislativa”, afirma Marlei Fernandes, secretária de Assuntos Jurídicos da APP.


Professora Marlei. Foto: Joka Madruga/Vigília Comunica
Professora Marlei. Foto: Joka Madruga/Vigília Comunica

Os pontos principais da pauta salarial são o pagamento da data base (reajuste anual da categoria) de 12,84%, revisão da tabela salarial, descongela, equiparação salarial com servidores de mesma formação e reajuste para aposentados sem paridade. “São 11 mil professores aposentados e 2 mil funcionários de escola que se aposentaram sem paridade e estão com seus salários carregando uma defasagem de 49%”, detalha Walkiria.


Aposentados participam em grande número da vigília. “Senhor Ratinho Jr., você é um jandaiense, pé vermelho como eu. Atenda nosso pedido, o nosso salário está congelado. Como o senhor sabe, tudo sobe, menos o nosso salário. E a gente vai lutar porque nós somos professores, estamos aposentados, mas inativos não. Porque nós somos daquela época em que é lutar e vencer. Jamais nós vamos desistir”, discursou Maria Mercedes Santos Souza, professora aposentada de São José dos Pinhais.


Professora Maria Mercedes. Foto: Joka Madruga/Vigília Comunica
Professora Maria Mercedes. Foto: Joka Madruga/Vigília Comunica

Os educadores que se aposentaram de 2004 para cá não recebem os mesmos reajustes que os da ativa, o que achata progressivamente seus rendimentos. “Essa é uma das maiores preocupações que a gente tem. São 11 mil nessa condição e esse número só vai aumentar”, observa Natália. “A equiparação salarial dos professores com os outros servidores também é importante. Por exemplo: eu sou professora de Educação Física. Se eu tivesse feito concurso para a Secretaria de Esporte, eu ganharia 50% a mais do que na Secretaria de Educação, com a mesma formação”, acrescenta


Walkiria Mazzeto reforça importância da equiparação salarial. “Uma pedagoga entra na carreira da educação ganhando R$ 4.920 para 40 horas semanais. A mesma pedagoga, se fizer o concurso para a Secretaria de Segurança, ela entra ganhando R$ 7.600”, compara.


Walkiria Mazzeto orienta a categoria. Foto: Joka Madruga/Vigília Comunica
Walkiria Mazzeto orienta a categoria. Foto: Joka Madruga/Vigília Comunica

“Então nós estamos aqui hoje, governador, secretários, deputados, para dizer que nós fazemos muito bem o nosso trabalho na escola. Se o governo usa a propaganda da educação neste estado, é fruto do nosso trabalho, de cada professora e professora, pedagogo, pedagoga, diretor de escola, funcionário e funcionária”, disparou Walkiria. “Nós estamos aqui resistindo bravamente para fazer a educação acontecer todo dia nas escolas. Nós estamos, mas os nossos companheiros estão lá na escola, atendendo um milhão de estudantes nesse momento. Mas nós queremos justiça salarial, nós queremos que os nossos salários sejam valorizados e não estamos aqui pedindo nada mais do que já foi dado aos outros servidores”, completou a presidenta da APP.

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