No inverno, no crochê está o poder!
- Pedro Carrano
- 2 de jun.
- 3 min de leitura
A 2ª edição do Crocheton Curitiba acontece assim como várias ações comunitárias
por Pedro Carrano, com informações de Jornal Plural

A chegada do frio mobiliza e dá a letra pra ações solidárias, organização de mulheres em torno do corte e costura, gerando muitas vezes renda, solidariedade e, o principal, organização popular. Nisso, nada melhor do que reunir pessoas em torno de atividades como o crochê.
Uma das ações previstas para o mês de junho (sábado), acontece a 2ª edição do Crocheton – Maratona do Crochê, iniciativa solidária que mobiliza voluntários para confeccionar toucas, cachecóis e mantas de lã destinadas a pessoas em situação de rua de Curitiba.
A primeira edição produziu 300 peças e reuniu pouco mais de 100 voluntários. A participação é gratuita, e os organizadores recomendam que os voluntários tragam agulhas, se tiverem, além de disposição e boa vontade. Podem participar tanto pessoas experientes no crochê e tricô quanto iniciantes. A expectativa é de que este ano a ação seja ainda de mais impacto.
“Iniciativas como esta são importantes porque nos trazem a possibilidade de fazer alguma coisa com nossos privilégios. Ter um teto, um chuveiro quente e uma cama quentinha, mesmo depois de um dia exaustivo de trabalho, são privilégios. Ano passado, a gente fez o evento sem muitas intenções, mas este ano temos a certeza que vai ser sucesso total”, aponta Aline Castro, uma das organizadoras da atividade, em depoimento para a Vigília Comunica.
A ação é organizada pelo coletivo Alinhadas e pela ONG Mãos Invisíveis, com apoio do Crochê Plural, do Patuscada Bar e do Clube do Crochezinho. As peças produzidas e arrecadadas serão distribuídas já no domingo, 7 de junho, durante o café solidário da ONG Mãos Invisíveis.
Dados
De acordo com dados do CadÚnico, Curitiba possui cerca de 4.500 pessoas em situação de rua, figurando entre as dez capitais brasileiras com maior número. A previsão do Simepar para o inverno de 2026 indica ondas de frio polar com geadas, alternando com períodos de chuva irregular devido à influência do El Niño, o que reforça a importância da iniciativa.
Josi da Guaporé: Aprendizado e envolvimento de mulheres
Com a inauguração recente do Centro Cultural e de Educação Popular (CCEP) da comunidade Guaporé 2, ocupação iniciada em 2021, no bairro Campo Comprido, uma das principais atividades da programação do espaço é justamente o curso de crochê para toda a comunidade.
Não há distinção, companheiros e companheiras têm participado.
Jocirene Carneiro, a Josi, uma das organizadoras do espaço, recorda que, na condição de liderança comunitária noutras áreas, sempre teve o corte e a costura como uma atividade que aglutinava o povo.
“No Corbélia (Cidade Industrial), no Guaporé, começou nosso grupo agora, quero que siga em frente, trazendo mais companheiras, para ir ampliando. Assim sempre tem coisas novas para aprender e ensinar”, explica.
Na voz da militante popular, o crochê gera um espaço de confiança e confidência entre mulheres, além de apontar para possibilidade de geração de renda.
“É uma terapia, é também uma forma de uma renda extra. Você começa a fazer, a gostar, ocupa seu tempo e ainda ganha um dinheirinho”, aponta.

Dona Eronilda, da Ferrovila: “O que eu puder compartilhar”
Já no Bolsão Formosa, Novo Mundo, na casa da liderança comunitária Juliana, há um ano mulheres de todas as vilas da região – da Ferrovila, passando pela Maria e Uberlândia -, encontram-se para as oficinas de crochê ministradas por Eronilda Rodrigues, 64, trabalhadora cozinheira e militante do movimento popular.
Eronilda, desde criança, aprendeu o ofício do crochê, mas afirma que se sente realizada em poder oferecer isso a mais mulheres, de diferentes áreas, a partir do movimento popular.
Querida por todos, comprometida em tempo integral com a causa do povo trabalhador e com as atividades solidárias, Eronilda enxerga o crochê como comunhão, solidariedade ativa. Em resumo, por que não, socialismo:
“É a satisfação de poder contribuir o que a gente aprendeu – nessas convivências a gente troca ideia, uma ensina a outra, de ajudar a pessoa, que pode ganhar fazendo um tapete. Nesse grupo de convivência, a gente começar a conversar, outra vai explicando, quando saem dali saem renovadas”, resume.

Serviço:
Evento: 2ª edição Crocheton – Maratona do Crochê
Data: 6 de junho (sábado)
Horário: das 13h às 18h
Local: Praça João Cândido (em caso de chuva, no Patuscada Bar)
Entrada: franca
Mais informações no @alinhadascrochesolidario




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