O mundo em alta exposição
- Vigília Comunica

- há 3 dias
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Por Lea Oksenberg
Dizer que "o mundo está acabando" virou quase um bom dia nas nossas redes. Ontem, conversando com um amigo, a gente se pegou nessa armadilha: o excesso de informação, os crimes de toda ordem, aquela avalanche de dados que chega sem pedir licença e que a gente tenta digerir. Como jornalista e revisora, meu olhar é treinado para buscar o fato, mas também para notar o erro, a falta de nexo e o excesso de adjetivos trágicos. E, vou te falar, o "original" que o mundo nos tem enviado anda precisando de uma edição rigorosa.
Mas o centro de tudo, creio eu, é que o mundo talvez não esteja necessariamente pior. Está apenas mais exposto. Estamos vivendo sob uma lente de aumento que não descansa. Antes, a tragédia tinha CEP e hora para chegar; hoje, ela é onipresente na palma da mão. É tanta exposição que a gente acaba confundindo o brilho da tela com o incêndio lá fora.
Só que hoje é domingo de Carnaval. E, se a informação é muita, a vida que pulsa fora do feed também é.
Talvez a nossa grande tarefa não seja salvar o planeta inteiro antes do primeiro café, mas sim ajustar o foco. Entre o site, o Insta e o compromisso com a notícia, existe o silêncio de Curitiba e existe a conversa que vira ideia. Existe, principalmente, o direito sagrado de fechar a aba do navegador por algumas horas.
Afinal, se o mundo está sendo filmado demais, que a gente aproveite para registrar também o que é leve. Menos "urgente" no título e mais "importante" no coração. O apocalipse que espere um pouco; hoje, minha única revisão será garantir que a alegria não tenha erros de ortografia.









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