Ranking dos candidatos anti-indígenas do Paraná
Plataforma digital do Cimi sistematiza informações sobre atuação parlamentar em relação a direitos indígenas, reunindo 525 proposições, 110 votações e mais de 41 mil votos
por José Pires
A plataforma Congresso Anti-Indígena é uma iniciativa do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e reúne informações sobre proposições legislativas, votações, parlamentares, partidos e frentes parlamentares que atuaram em desfavoráveis e também favoráveis aos direitos dos povos indígenas na Câmara de Deputados e no Senado.

Muitos deputados paranaenses aparecem no levantamento, a maioria propondo e votando a favor de pautas anti-indígenas. No topo da lista estão os deputados e deputadas da extrema direita representando as aspirações do agronegócio e militando em pautas que travam a demarcação de terras indígenas e agravam a precária situação dos povos originários no nosso estado.
Confira o ranking dos parlamentares que mais votaram contra os direitos indígenas e que são candidatos em 2026. O levantamento considera as proposições que violam direitos e os votos favoráveis em PLs que ameaçam as comunidades indígenas.
Diego Garcia (Câmara dos Deputados, União) — 87 no total (1 proposição e 86 votos)
Felipe Francischini (Câmara dos Deputados, Pode) — 87 no total (1 proposição e 86 votos)
Pedro Lupion (Câmara dos Deputados, Republicanos) — 87 no total (2 proposições e 85 votos)
Filipe Barros (Câmara dos Deputados, PL) — 86 no total (1 proposição e 85 votos)
Sargento Fahur (Câmara dos Deputados, PL) — 85 no total (1 proposição e 84 votos)
Sergio Souza (Câmara dos Deputados, MDB) — 81 no total (4 proposições e 77 votos)
Luiz Nishimori (Câmara dos Deputados, PSD) — 79 no total (2 proposições e 77 votos)
Luisa Canziani (Câmara dos Deputados, União) — 72 no total (0 proposições e 72 votos)
Vermelho (Câmara dos Deputados, PL) — 70 no total (1 proposição e 69 votos)
Toninho Wandscheer (Câmara dos Deputados, PP) — 68 no total (0 proposições e 68 votos)
Tião Medeiros (Câmara dos Deputados, PP) — 62 no total (2 proposições e 60 votos)
Padovani (Câmara dos Deputados, PP) — 62 no total (3 proposições e 59 votos)
Rodrigo Estacho (Câmara dos Deputados, PSD) — 60 no total (0 proposições e 60 votos)
Beto Richa (Câmara dos Deputados, PSDB) — 59 no total (0 proposições e 59 votos)
Paulo Litro (Câmara dos Deputados, União) — 59 no total (1 proposição e 58 votos)
Dilceu Sperafico (Câmara dos Deputados, PP) — 59 no total (4 proposições e 55 votos)
Luciano Alves (Câmara dos Deputados, PSD) — 56 no total (0 proposições e 56 votos)
Geraldo Mendes (Câmara dos Deputados, União) — 55 no total (0 proposições e 55 votos)
Sergio Moro (Senado Federal, PL) — 54 no total (3 proposições e 51 votos)
Marco Brasil (Câmara dos Deputados, PP) — 48 no total (1 proposição e 47 votos)
Reinhold Stephanes Junior (Câmara dos Deputados, PL) — 36 no total (1 proposição e 35 votos)
Paulo Eduardo Martins (Câmara dos Deputados, PL) — 33 no total (1 proposição e 32 votos)
Luizão Goulart (Câmara dos Deputados, Solidariedade) — 25 no total (0 proposições e 25 votos)
Ricardo Barros (Câmara dos Deputados, PP) — 21 no total (3 proposições e 18 votos)
Hermes Parcianello (Câmara dos Deputados, MDB) — 18 no total (1 proposição e 17 votos)
Roman (Câmara dos Deputados, PP) — 16 no total (0 proposições e 16 votos)
Aline Sleutjes (Câmara dos Deputados, PROS) — 14 no total (0 proposições e 14 votos)
Luciano Ducci (Câmara dos Deputados, PSB) — 12 no total (0 proposições e 12 votos)
Boca Aberta (Câmara dos Deputados, PROS) — 8 no total (0 proposições e 8 votos)
Deltan Dallagnol (Câmara dos Deputados, Pode) — 6 no total (0 proposições e 6 votos)
Leandre (Câmara dos Deputados, PSD) — 4 no total (0 proposições e 4 votos)
Alex Canziani (Câmara dos Deputados, PTB) — 4 no total (4 proposições e 0 votos)
Por fim, os seguintes parlamentares candidatos em 2026 registram 0 ações no total (0 proposições e 0 votos anti-indígenas): Carol Dartora (PT), Newton Bonin (União), Sandro Alex (PSD), Tadeu Veneri (PT), Welter (PT), Gleisi Hoffmann (PT), Ney Leprevost (União) e Lenir de Assis (PT), todos pertencentes à Câmara dos Deputados.
Sobre o levantamento do Cimi
A Plataforma analisou 41.391 votos de deputados federais e senadores em 110 votações nominais sobre direitos indígenas, realizadas entre janeiro de 2019 e julho de 2026. Do total, 27.965 votos (67,56%) foram contrários aos povos indígenas, enquanto 13.081 (31,60%) se posicionaram a favor. Dos 28 partidos analisados, 19 votaram majoritária ou totalmente contra os direitos indígenas.
Segundo o levantamento, o Partido Liberal (PL) foi o mais anti-indígena, com 6.630 votos (95,9%) contrários aos povos originários, seguido por Progressistas (PP), União Brasil, PSD e Republicanos.
O Cimi aponta que, atualmente, 75% dos assentos da Câmara dos Deputados e 78% do Senado Federal são ocupados por parlamentares de partidos com histórico majoritariamente contrário aos direitos indígenas nas duas últimas legislaturas. Do outro lado, o PT registrou a maior quantidade de votos favoráveis aos povos indígenas, com 4.971 votos (99,6%), seguido por PSB, PDT e PSOL. PCdoB e Rede Sustentabilidade votaram 100% a favor dos povos nas votações analisadas.
A pesquisa do Cimi revela que a maior parte das votações nominais sobre direitos indígenas tratou de direitos territoriais: foram 76 votações (69% do total), das quais 69 (91%) tiveram resultado desfavorável aos povos. Entre as proposições que avançaram contra os direitos indígenas estão o Projeto de Lei 490/2007 (marco temporal), o PL da Grilagem e a PEC 48/2023. Já entre as poucas votações favoráveis aos povos, o Cimi destaca a manutenção de vetos do presidente Lula a trechos da Lei 14.701/2023.
O levantamento também mapeia a produção legislativa: das 525 proposições sobre povos indígenas apresentadas no Congresso desde a redemocratização, 381 surgiram na última década, e a atual legislatura (2023-2026) concentra o maior número de propostas contrárias aos direitos territoriais indígenas desde a Constituinte.
Atualmente, 325 proposições que afetam os povos indígenas tramitam no Congresso, sendo 146 delas desfavoráveis aos seus direitos — a maioria fragilizando o direito constitucional à terra.
Confira a plataforma:




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