Servidores de Araucária (PR) retomam greve
Proposição da Prefeitura segue para segunda votação na Câmara de Vereadores. Funcionalismo municipal já realizou oito dias de greve e espera cumprimento de compromissos da gestão
por Pedro Carrano, com informações de Sifar

Na terça-feira, dia 13 de outubro, a greve dos servidores de Araucária entra em nova fase.
A mobilização ocorre para pressionar os vereadores da cidade a votarem contra a Proposta de Emenda à Lei Orgânica (PELOM) nº 11/2026, que passa pela segunda avaliação na casa. Trata-se de um pacote proposto pela gestão Gustavo Botogoski (PSD), no formato de lei orgânica.
Botogoski é um político ligado ao governador Ratinho Jr. Sua proposta abre margem para alterações no fundo de previdência municipal, busca limitar a ação dos sindicatos, bem como o papel da Conferência de Saúde, entre outros pontos.
A greve começa às 8h, com concentração na Câmara de Vereadores local, passada a etapa de uma greve de oito dias, que obteve grande repercussão na imprensa e na sociedade. Os servidores em greve criaram um movimento persistente, com ações em locais de trabalho e ocupação da própria Prefeitura, reunindo quase dois mil servidores e organizações de apoio.
Medidas e acordos com a gestão
As reivindicações dos servidores eram a retirada integral por parte do Poder Executivo, autor da proposta, da PELOM nº 11/2026 e que o prefeito se dispusesse a negociar com os trabalhadores.
Com isso, a gestão foi pressionada a sentar em mesa de negociação no dia 8 de outubro, com representantes dos trabalhadores. Nessa ocasião, os secretários do prefeito se dispuseram a tratar apenas do tema do fundo de previdência, mas não aceitaram alterações no restante da lei orgânica, informam os sindicatos.
Nesse dia, a greve garantiu um compromisso, por parte da Prefeitura, de que o projeto apenas tramitaria junto com outra emenda, formulada pelos técnicos do fundo de previdência (FPMA) e sindicatos (Sifar e Sismmar), que garante blindagens no formato como o fundo de previdência funciona atualmente: gerido pelos próprios servidores de forma democrática, com autonomia em relação à Prefeitura.
Essas blindagens serão realizadas a partir de alterações no art. 71 da Lei Orgânica do Município. O que foi acordado em mesa de negociação deve ser enviado pelo Executivo para a Câmara de Vereadores como uma nova Proposta de Alteração na Lei Orgânica. Mas os sindicatos municipais afirmam que isso ainda não aconteceu.
Mesmo com o compromisso da Prefeitura, registrado em ata na mesa de negociação, em tramitar a proposta de blindagem do fundo junto com a PELOM original, o líder da base governista e presidente da Câmara de Vereadores, Pastor Castilhos (PL), planeja realizar a segunda votação da proposta sem a emenda de blindagem do FPMA. Por isso, a greve.
Tendência de acirramento
“Até o momento, todos os pedidos de fala dos sindicatos e da população para essa sessão da Câmara foram negados. A presidência está censurando e calando tanto servidores quanto comunidade de expressar e dialogar abertamente sobre esse projeto, tramitando a PELOM de forma apressada e sem consultar a comunidade, passando tudo no tratoraço”, aponta o Sindicato dos Servidores Municipais (Sifar).
Nas suas redes sociais, ao longo da greve, o prefeito Botogoski rechaçou o movimento e afirmou que os pagamentos do funcionalismo estariam todos em dia. Sobre o atual movimento dessa semana, o prefeito não se pronunciou.




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