top of page

Servidores denunciam violência da PM e Guarda Municipal de Araucária durante protesto

há 4 dias
3 min de leitura

"Usaram spray de pimenta e um gel de pimenta que eles passaram nos olhos dos servidores"


por Pedro Carrano


"Eles cercaram e empurraram os servidores para fora do espaço central da Câmara". Foto: Redes sociais Sifar
"Eles cercaram e empurraram os servidores para fora do espaço central da Câmara". Foto: Redes sociais Sifar

O dia 29 de setembro (terça) foi marcado pela greve dos servidores e professores municipais na cidade de Araucária, uma das mais importantes do Paraná em receita, contra mudanças no Fundo de Previdência Municipal de Araucária (FPMA), que foram votadas e aprovadas na Câmara de vereadores local.


Os sindicatos Sifar e Sismmar acusam o prefeito Gustavo Botogoski (PSD) e vereadores de levar o projeto à pauta sem debate com a sociedade e com as categorias. Mais do que isso, a manhã ficou marcada pela repressão contra os servidores, que denunciam uso ostensivo da força policial, violência, uso de spray de pimenta, escudos e hostilização por parte da Guarda Municipal e da Polícia Militar.


“A Câmara de Vereadores limitou a entrada dos servidores, entraram cerca de cem e ficaram no lado de fora mais de 1.500. No início da sessão, os vereadores já estavam coordenados para não fazer o debate”, critica Bernardo Masson, servidor público, conselheiro eleito do fundo de previdência e integrante da direção do Sifar, em entrevista exclusiva à Vigília.


Votação atropelada


A votação sobre a Proposta de Emenda à Lei Orgânica (PELOM) nº 11/2026 foi aprovada por 10 votos a 1, no que os sindicatos consideram uma forma de “tratoraço”.


Na voz de Masson, o presidente da Câmara, Pastor Castilhos (PL), não abriu espaço para intervenção dos sindicatos, tampouco dos representantes do funcionalismo no Fundo (FPMA), que é um fundo hoje de administração indireta da previdência dos servidores e considerado independente. A Proposta de Emenda aponta ainda a capacidade propositiva do Conselho Municipal de Saúde e busca retirar o pagamento do salário dos dirigentes sindicais.


Momento tenso


“Nesse período os servidores ocuparam o meio do salão, cobrando os vereadores e fazendo o debate. No espaço tinha PM, ROMU (ostensivo de Araucária) e GM. Eles cercaram e empurraram os servidores para fora do espaço central da Câmara. Enquanto falávamos palavras de ordem e protestávamos, os vereadores seguiram votando uma série de projetos que certamente não sabiam o que era porque não dava para ouvir nada”, critica.

No final, de acordo com o dirigente sindical, foi o pior momento, quando servidores ficaram encurralados na parte lateral da sessão. Há vários vídeos que atestam tal situação. “Usaram spray de pimenta e um gel de pimenta que eles passaram nos olhos dos servidores com a mão. Um servidor precisou de atendimento médico. E se recuperou no final do dia”, informa Masson, afirmando que o sindicato estuda medidas cabíveis contra a repressão.


Outro lado


O prefeito Gustavo Botogoski (PSD) justifica, em suas redes sociais, o salário em dia dos servidores e queda de arrecadação no município e no Estado como justificativa para retirar o pagamento dos servidores que estão no cargo de dirigentes sindicais – uma das medidas colocadas na Proposta de Emenda à Lei Orgânica (PELO) nº 11/2026.


Criticou ainda a liberação de dirigentes sindicais pelo município - no entanto, trata-se de uma prática legal e habitual em todo o país, a partir de acordo em mesa de negociação entre o funcionalismo público e o órgão do Estado.


A reportagem da Vigília Comunica enviou perguntas para a Prefeitura de Araucária questionando o uso ostensivo e considerado violento da Guarda Municipal e PM contra o funcionalismo. Recebendo a resposta, será publicada nesse espaço.

Comentários


bottom of page