A democracia não se aposenta
Nós, dos 70+, continuamos votando
por Lea Oksenberg
Com 74 anos de vida, eu já vi um monte de coisas acontecerem neste país. Já vi governos passarem, crises virem e irem. Em função da idade avançada, a lei diz que o meu voto é facultativo. Portanto, se quiser, posso ficar em casa descansando e esquecer essa “bobagem”: Pra que votar? - Nada muda mesmo! Essa é a toada da maioria, mas não dos 70+.

A moçada dessa geração sabe o peso que cada escolha tem sobre o destino de todos nós.
Muita gente pensa que votar quando já está isento da obrigação é apenas cumprir um ritual. Não é não! Votar é sagrado, é um ato de afirmação, de resistência. Porque quando a gente olha para trás e vê o que foi construído, percebe que a liberdade e a democracia são plantas delicadas que exigem rega diária.
O que está em jogo em uma eleição não é o dia de amanhã ou o próximo ano. É a estrutura do país. Se a democracia se vai, se a nossa soberania escorre pelos dedos, o resto desaba junto. E o que será das crianças e da moçada que está chegando pra tocar esse barco? O que vamos deixar de herança para as próximas gerações?
Nós, avós e veteranos deste país, não temos o direito de cruzar os braços. A nossa experiência nos deu o privilégio de enxergar o tamanho do estrago que o descaso pode fazer. Também nos fez entender a força que a união, junto com a consciência, tem.
Votar é segurar a mão do futuro coletivo e ver uma luz. É garantir que todos tenham o direito de escolher, de errar, de construir e de sonhar em um país livre. Não é por obrigação legal. É por responsabilidade com a vida em sociedade.
Vá às urnas. A sua voz tem o peso de uma vida inteira e o poder de proteger o amanhã.




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