A ecologia de grife
- lazzarimlouize
- 5 de jun.
- 2 min de leitura
por Lea Oksenberg
Substituir árvores históricas por mudas frágeis, que mal resistem ao inverno curitibano, é a cara cuspida e escarrada desta administração. Troca-se o que tem raiz e profundidade por algo raso, que serve apenas para encher linguiça no relatório ambiental.

No passado, Curitiba foi vanguarda, mas hoje tá osso! Sob o comando de um herdeiro, a ‘capital ecológica’ virou um imenso estacionamento a céu aberto, maquiado com ciclovias vermelhas para inglês ver.
A Semana do Meio Ambiente deste ano entra para a história local como o monumento definitivo à hipocrisia. Enquanto o prefeito vende louros quando posa pra plateia, a serragem das árvores assassinadas suja o sapato de cromo da autoridade que nunca soube o que é calo na mão. O ronco da motosserra destrói os bairros sob o pretexto do "progresso". O berço de ouro pode até garantir o poder, mas a história lembrará dele como o governante que trocou as raízes de Curitiba pela pressa cinzenta do asfalto.
Para quem sempre viu o mundo através do vidro fumê de carros oficiais, a realidade do chão da cidade é mero detalhe estético. O prefeito enxerga Curitiba como um herdeiro que olha para a fazenda recebida: um pedaço de terra a ser loteado, pavimentado e "embelezado" para as fotos de família. É a consagração da ecologia de grife. Uma maquiagem verde que serve para exportação, mas derrete na primeira chuva que alaga a periferia. O meio ambiente, para a gestão, é um conceito abstrato; para o cidadão, era a sombra que dava um refresco na caminhada até o ponto de ônibus — e que agora virou lenha.
O corte dessas árvores é o sintoma clássico da arrogância de quem confunde a coisa pública com o quintal de casa. Quando a população reclama, a resposta é o silêncio cheio de desdém. Curitiba hoje funciona como a cabeça de quem a comanda: foca no concreto e ignora a vida.
O asfalto e a soberba podem até cobrir a terra hoje, mas a história não aceita maquiagem.
A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas ideias não correspondem aos fatos
O tempo não para - Cazuza




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