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A inteligência do Irã na atual guerra

A guerra, contraditoriamente, pode fortalecer o controle das rotas comerciais locais


por Redação Vigília, com Brasil de Fato e Rebelion.



Na atual situação mundial, o Irã segue demonstrando grande capacidade de resistência e, mais do que isso, de ditar a pauta da guerra contra o consórcio EUA/Israel.


Apesar do ultimato de Trump, que exige liberar o Estreito de Ormuz em 48 horas – o que pode desgastá-lo ainda mais politicamente porque terá que arcar com o próprio discurso -, o governo iraniano tem mostrado capacidade de controlar o Estreito e ainda colocar os agressores em situação de crise. Nesse final de semana, dois caças estadunidenses de última geração foram abatidos.


A ameaça de Trump se dá justo no momento em que o tráfego em Ormuz atingiu o maior nível desde o início da guerra, com o aumento do número de embarcações sem ligação com o Irã usando a via.

Além disso, embarcações comerciais da França, do Japão, de Omã, da Índia e do Panamá cruzaram Estreito de Ormuz, numa sinalização de que o tráfego na região só está proibido para navios ligados aos EUA e Israel. O que significa que o governo iraniano soube usar o controle do Estreito como uma verdadeira arma de guerra, jogando para Trump o desgaste com o aumento do preço e crise da oferta de petróleo no mundo.

É difícil fazer um diagnóstico completo nesse momento da profundidade da crise, o que exige estudos profundos, porém:

a) Os EUA estão em crise profunda, externa e interna. O governo do país busca recuperar o terreno perdido e o controle sobre reservas de petróleo. Por isso a pressão sobre países petroleiros;

b) A resistência iraniana é histórica, com apoio possível do bloco China e Rússia, uma contraposição que o país não tinha enfrentado ainda nesse século;

c) O desenvolvimento das forças produtivas chinesas reduz o tempo de produção, o tempo de circulação das mercadorias, com novas rotas comerciais, aumentando a crise das economias da Europa e dos EUA;

d) A guerra, contraditoriamente, pode fortalecer o controle das rotas comerciais locais. Como analisa o site Rebelion, a expansão dos BRICs reforça a conexão entre as potências energéticas e os principais centros logísticos, como é o caso do Egito (o país mais populoso da região, que também aderiu ao BRICS+ em 2024), que controla o Canal de Suez, e da Etiópia, localizada no Chifre da África, perto do Estreito de Bab el-Mandeb, por onde flui uma parte substancial do comércio mundial de hidrocarbonetos. O Estreito de Bab el-Mandeb, por sua vez, pode ser controlado pelo Iêmen. E o Irã pode controlar em definitivo Ormuz a partir dessa guerra.


O imperialismo dos EUA deve ser derrotado, em nome de outra ordem e articulação mundial. O imperialismo e o sionismo são inimigos dos povos. Segundo dados oficiais do governo iraniano, mais de 600 instituições de ensino foram alvos de bombardeios desde o início das agressões, com centenas de vítimas civis, incluindo crianças.


O genocídio em Gaza e o sequestro do presidente venezuelano, Nicolás Maduro e Cilia Flores, mostra que a potência militar dos EUA, sob controle do neofascismo e da extrema direita, está declarando uma gerra contra os povos do mundo. Portanto, a resistência iraniana deve ser saudada, apoiada e propagandeada ao máximo.

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