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Alerta! Na pauta econômica e dos juros, direita e os neoliberais jogam verde durante as eleições

por Pedro Carrano


A tática não é nova. Sabe aquela pessoa sem caráter que defende algo “do contra”, que não acredita, só “pra causar” e demarcar posição? Ou então somente para desgastar a outra pessoa.


Fotos: Agência Senado, Fotos Públicas e Wikicommons.
Fotos: Agência Senado, Fotos Públicas e Wikicommons.

Pois é, acontece que quando o tema é política econômica e o atual patamar da taxa de juros, a a extrema direita agita bastante, busca desgastar o governo Lula, porém, no fundo, isso se assemelha a um exercício de demagogia, como já escrevia o historiador Daniel Guérin em sua análise “Fascismo e Grande Capital”.


De Flávio Bolsonaro, principal aposta eleitoral até o momento, em segundo lugar nas pesquisas, a Renan Santos, do Missão, ambos de extrema direita, já se pronunciaram sobre a redução da taxa de juros.


Analistas concordam que os juros são uma barreira para o crescimento da economia nacional e, consequentemente, para uma política de industrialização. De fato é um problema estrutural no país, que inibe o crédito, o investimento, o financiamento imobiliário e o crescimento da indústria, além do preço das mercadorias essenciais para a produção, caso do maquinário. É fato também que a taxa de juros incide diretamente sobre o crescimento da dívida pública interna.


Porém, o patamar alto da taxa de juros é defendido principalmente pelas frações que lucram com o capital financeiro. E aqui reside a questão: As candidaturas de extrema direita não são contrárias a esses setores. Os nomes para extrema direita e do neofascismo para o pleito tampouco estão ligados aos setores empresariais que, de fato, têm seus lucros reduzidos em vista da alta taxa de juros.


Nesse sentido, a bandeira da redução da taxa de juros não seria realmente levada a cabo, fica apenas como uma bravata para desgastar o atual governo Lula.


Essa medida de agitar uma falsa bandeira, apenas para desgastar um governo amarrado pelo Congresso, com limites estruturais e com a herança marcada pelo desmonte da economia promovido desde os governos Temer e Bolsonaro, não é uma tática nova.

Defesa do direito dos Trabalhadores?


Lembremos que no episódio na Câmara da pauta do fim da escala de trabalho 6 X 1 e da redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas, o deputado Sóstenes Cavalcante, do PL, disse que o partido iria apresentar um destaque defendendo a escala 4×3, de quatro dias de trabalho e três de descanso. Como, se não aceitam sequer a redução para quarenta horas, os parlamentares neofascistas defenderiam 32 horas de trabalho semanais?

A resposta é: Não defendem.


Mesmo na questão da taxa de juros, a preocupação é menos em enfrentar o Capital financeiro e mais em retirar direitos dos trabalhadores.


Em seu programa de campanha, como informa o jornal O Globo, Renan Santos “critica o crescimento das despesas obrigatórias e defende o fim do reajuste automático de benefícios vinculados ao salário mínimo, além de propor a transição da Previdência para um modelo de capitalização”.


O candidato neofascista promete “industrialização, hidrelétrica, usina nuclear”, no entanto, as promessas parecem vazias diante da proposta de retirada de direitos trabalhistas e vinculados.


Ou seja, o corte vai se dar para o lado dos trabalhadores. A atual extrema direita não parece sequer disposta a um projeto de industrialização mesmo que sob um regime conservador. Na realidade, o indicativo parece ser o de uma política avessa à soberania nacional e submissa aos EUA de Trump.


Santos – que se apresenta com um discurso ‘liberal’ mais elaborado que os Bolsonaro - defendeu na imprensa que “benefícios da Previdência Social, Benefício de Prestação Continuada (BPC) e o Bolsa Família deixem de ser reajustados automaticamente de acordo com o salário mínimo”. Em um país subassalariado, essas importantes políticas para composição de renda ficariam congeladas para uma parte expressiva do povo.

No fundo, a perspectiva da extrema direita não é a de investimentos públicos, crescimento, aumento da renda dos trabalhadores e dos setores médios, fazendo girar a roda da economia. Porém, querem mais restrição ao investimento do Estado:


“Esse equilíbrio fiscal, que hoje provoca alergia tanto na esquerda como no bolsonarismo, é o que vai nos permitir reduzir os juros e recuperar a capacidade de investimento do Estado. Meu compromisso é reduzir a taxa de juros para até 5% no fim do mandato”, afirmou Renan Santos para a reportagem do Globo.


Já o empresário, ex-governador de Minas Gerais e candidato presidencial, Romeu Zema, do Novo, menciona também o corte dos juros, aposta no corte de gastos e no combate aos "supersalários" em Brasília como o caminho para reduzir juros e a inadimplência.


Embora, historicamente, a extrema direita se apresente buscando dialogar com as massas populares, como se vê, não entrega mais direitos trabalhistas. Agita muito, seja a bandeira nacional, seja o discurso voltada pro povo.


Mas, na prática, entrega um país sem soberania e um povo sem qualquer direito.

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