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Ambientalistas se unem em busca de respostas para a derrubada de árvores em Curitiba

por Luis Lomba


Setenta e quatro instituições de proteção ambiental se alinharam para obter do poder público municipal informações sobre a derrubada de mais de 100 árvores pela Prefeitura de Curitiba na avenida Arthur Bernardes, no final de semana passado. A justificativa de que é preciso abrir espaço para passagem de uma nova linha de ônibus causou indignação entre ambientalistas, moradores do bairro e todos os que acompanhavam a queda de braço com a administração municipal para manter as árvores vivas.

Trabalhadores na obra da Avenida Arthur Bernardes. Foto: Valquir Kiu Aureliano/SECOM
Trabalhadores na obra da Avenida Arthur Bernardes. Foto: Valquir Kiu Aureliano/SECOM

Liderados pelo Instituto SustentAção, as instituições recorreram ao Conselho Municipal do Meio Ambiente em busca de respostas. Documento protocolado nesta quarta-feira (20) ressalta que nós últimos dois anos moradores dos bairros Santa Quitéria, Vila Izabel e Seminário têm promovido manifestações públicas contra a derrubada das árvores e buscado diálogo com a Prefeitura. “Entretanto, atropelando o diálogo e a confiança da população, os fatos mais recentes demonstraram uma postura autocrática do poder público municipal (...) A chegada inesperada das equipes e das motosserras gerou revolta e engatilhou novos protestos imediatos por parte dos moradores”, diz o ofício protocolado no Conselho Municipal do Meio Ambiente.


O documento registra que o poder municipal agiu valendo-se de liberações de última hora da Secretaria do Meio Ambiente para derrubar as árvores, sem qualquer aviso ou respeito ao compromisso de transparência com

as lideranças comunitárias e apresentando respostas contraditórias sobre o cronograma das obras.


O Instituto SustentAção denuncia que inicialmente a Prefeitura garantiu que as obras viárias da avenida Arthur Bernardes e do parque linear a ser instalado no local seriam realizadas e concluídas simultaneamente, sem mencionar necessidade de nova licitação. No entanto, posteriormente a Prefeitura admitiu que as obras do canteiro central e do parque linear só serão licitadas no segundo semestre de 2026. “Essa contradição oficial escancara uma grave falta de planejamento: árvores maduras estão sendo sacrificadas neste exato momento (maio de 2026) para a implantação de um Parque Linear que sequer possui processo licitatório aberto", registra o documento.


Os militantes ambientalistas argumentam que a derrubada das árvores deixa um rastro de destruição e um "vazio urbano" por tempo indeterminado: “A justificativa de plantio de 8,4 mil mudas em ruas próximas como compensação ambiental é tecnicamente e socialmente insuficiente, pois não substitui os serviços ecossistêmicos imediatos de árvores adultas e não justifica o desrespeito à gestão democrática da cidade”.


O ofício protocolado requer cópias das licenças de supressão vegetal e dos registros no Sistema Nacional de Controle da Origem dos Produtos Florestais (Sinaflor), entre outros pedidos. “Diante de fortes indícios de que as supressões em curso não foram devidamente cadastradas e autorizadas via Sinaflor, as organizações signatárias advertem que a não apresentação do respectivo comprovante de registro válido ensejará o protocolo imediato de Notícia de Fato perante o Ministério Público Federal (MPF) e o envio de denúncia formal ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), na qualidade de órgão regulador e fiscalizador nacional, para a apuração de crime ambiental e responsabilidade administrativa dos gestores envolvidos”, conclui.

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