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"Aprova, Câmara!": manifestações em todo o país cobram votação do PL da Misoginia

Milhares de mulheres participaram de atos organizados por movimentos feministas para exigir a aprovação da proposta, que permanece parada na Câmara dos Deputados após ser aprovada pelo Senado


por Adi Spezia


Com a retomada dos trabalhos do Congresso Nacional nesta segunda-feira (3), movimentos e coletivos feministas intensificaram a mobilização em diferentes regiões do país para pressionar a Câmara dos Deputados a votar o Projeto de Lei nº 896/2023, conhecido como PL da Misoginia. As manifestações ocorreram no domingo (2) e reuniram milhares de pessoas em capitais e outras cidades brasileiras.


Ato pela aprovação do PL da Misoginia, em Brasília. Foto: Adi Spezia
Ato pela aprovação do PL da Misoginia, em Brasília. Foto: Adi Spezia

A proposta pretende equiparar a misoginia ao crime de racismo, tornando a discriminação contra mulheres um crime inafiançável e imprescritível. Embora o projeto tenha sido aprovado em regime de urgência, sua tramitação permanece paralisada na Câmara diante da resistência de setores conservadores.


As mobilizações foram convocadas pelo Levante Mulheres Vivas (@levantemulheresvivas), em articulação com organizações feministas, movimentos sociais e coletivos de diversas partes do país. O objetivo foi cobrar a votação do projeto diante do crescimento da violência política de gênero e da disseminação de discursos de ódio contra as mulheres. No Distrito Federal, o ato ocorreu no Eixão do Lazer e reuniu dezenas de participantes.


Ato pela aprovação do PL da Misoginia, em Brasília. Foto: Adi Spezia
Ato pela aprovação do PL da Misoginia, em Brasília. Foto: Adi Spezia

Para as organizadoras, a aprovação da proposta representa um avanço essencial na proteção dos direitos das mulheres e no enfrentamento ao aumento dos ataques misóginos, tanto no ambiente virtual quanto fora dele.


"Ocupar as ruas é uma forma de pressionar a Câmara dos Deputados a votar o projeto e reafirmar que o ódio, a perseguição e a violência contra as mulheres precisam ser enfrentados por meio de políticas públicas, legislação e participação popular", destacam as organizadoras da mobilização.


Mariana Rosa afirma que a proposta representa um importante instrumento de combate à violência de gênero: "Esse é um projeto que representa um passo importantíssimo no enfrentamento à violência, ao desprezo e ao ódio contra as mulheres. Não podemos mais naturalizar discursos que incentivem a violência, o desrespeito e a discriminação. Uma sociedade justa se constrói com respeito, dignidade e proteção à vida de todas nós", afirma.


Ato pela aprovação do PL da Misoginia, em Brasília. Foto: Adi Spezia
Ato pela aprovação do PL da Misoginia, em Brasília. Foto: Adi Spezia

Segundo Mariana Rosa, a violência contra as mulheres não pode continuar sendo tratada como uma questão secundária: "O Brasil vai às ruas porque a vida das mulheres não pode continuar esperando. Nenhuma mulher deve viver com medo, ser silenciada ou sofrer violência. Essa é uma luta que diz respeito a toda a sociedade. O ódio contra as mulheres não é opinião: é violência."


As manifestações ocorreram em um contexto marcado pelo fortalecimento de grupos extremistas que promovem discursos misóginos, como os chamados _red pills_. Nesse cenário, o PL da Misoginia busca reconhecer juridicamente a gravidade dessas práticas, equiparando-as ao crime de racismo e estabelecendo que sejam inafiançáveis e imprescritíveis.


Ato pela aprovação do PL da Misoginia, em Brasília. Foto: Adi Spezia
Ato pela aprovação do PL da Misoginia, em Brasília. Foto: Adi Spezia

Dados da Rede de Observatórios da Segurança, que monitora nove estados brasileiros, revelam a dimensão do problema. O estudo Elas Vivem: a urgência da vida aponta que, a cada 24 horas, 12 mulheres são vítimas de diferentes formas de violência.


Ato pela aprovação do PL da Misoginia, em Brasília. Foto: Adi Spezia
Ato pela aprovação do PL da Misoginia, em Brasília. Foto: Adi Spezia

Informações do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, evidenciam uma escalada de agressões que antecedem o feminicídio: "A cada feminicídio, registram-se, em média, 2,7 tentativas de feminicídio; 38,7 casos de violência psicológica; 78,8 registros de _stalking_ (perseguição); 84 descumprimentos de medidas protetivas de urgência; 182,2 casos de agressão física; e 501,9 ameaças", aponta o levantamento.


Ato pela aprovação do PL da Misoginia, em Brasília. Foto: Adi Spezia
Ato pela aprovação do PL da Misoginia, em Brasília. Foto: Adi Spezia

Para a Marcha Mundial das Mulheres (MMM) no Distrito Federal, a demora na votação do projeto prolonga a ausência de respostas efetivas diante da violência de gênero.

"Impedir a votação do PL da Misoginia significa adiar respostas concretas para um problema que afeta milhões de vidas", afirma a organização.


Ato pela aprovação do PL da Misoginia, em Brasília. Foto: Adi Spezia
Ato pela aprovação do PL da Misoginia, em Brasília. Foto: Adi Spezia

O PL da Misoginia já foi aprovado pelo Senado Federal, mas permanece sem deliberação na Câmara dos Deputados. Mesmo após o presidente da Casa ter anunciado a intenção de pautar a matéria antes do recesso parlamentar, encerrado em 31 de julho, o projeto acabou ficando fora das votações do Plenário por falta de consenso entre as bancadas.

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