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Grandes bancos privados lucram mais e seguem demitindo trabalhadores

Foto: Joka Madruga
Foto: Joka Madruga

Por Luis Lomba


Os bancos lucraram como nunca e demitiram como sempre em 2025. Só os três maiores bancos privados (Santander, Itaú e Bradesco) lucraram juntos R$ 87 bilhões - 16,4% a mais que no ano anterior. A despeito disso, cortaram milhares de empregos no ano passado. “Esses três bancos são responsáveis pela redução de cerca de 12 mil empregos, conforme declararam em suas demonstrações contábeis anuais de 2025”, afirma José Altair Monteiro Sampaio, secretário de Políticas Sindicais e Movimentos Sociais do Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e Região.


O setor bancário fechou o ano passado com menos 8.910 postos de trabalho, segundo a Pesquisa do Emprego Bancário 38, do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Esse resultado só não foi pior porque a Caixa Econômica Federal teve saldo positivo de 1.185 empregos no período.


Sampaio questiona o impacto das demissões sobre o atendimento aos clientes dos bancos. “Quando verificamos o tamanho de cada um, todos cresceram em 2025 e agora têm mais ativos sob suas gestões. Então devemos nos perguntar se essa redução de funcionários é capaz de garantir qualidade no atendimento aos clientes”, afirma.


Ao longo de 2025 o setor bancário demitiu 45.381 pessoas e admitiu 36.471. Do saldo negativo (8.910), 5.667 são mulheres e 3.243 são homens. Enquanto homens não negros tiveram remuneração média de R$ 9.644 na admissão e de R$ 10.484 no desligamento, as mulheres não negras apresentaram médias salariais de R$ 5.424 na admissão e de R$ 6.151 no fim do vínculo.


Paralelamente ao fechamento de vagas, houve também o rebaixamento salarial, com o salário médio dos admitidos (R$ 7.906) correspondendo a 91,09% da média salarial dos desligados (R$ 8.679). O salário médio mensal dos admitidos é maior para os homens não negros em relação aos demais grupos.


“O inaceitável em contratações novas é a diferença salarial entre os recortes de gênero e raça nas contratações novas. Compare quanto ganha um homem não negro e uma mulher negra recém-admitidos”, pontua Sampaio. “Na rotatividade de 2025 os bancos preferiram a contratação proporcional de mais homens que mulheres”, completa o secretário.


No relatório, o Dieese avalia que esse aprofundamento da desigualdade de gênero no setor bancário reforça a importância da Lei de Igualdade Salarial, sancionada e regulamentada pelo Governo Federal em 2023. “Sim, resistir é preciso. O primeiro papel do Sindicato é verificar se há igualdade de oportunidades nos bancos, uma vez que as empresas criam uma série de cargos diferenciados, o que dificulta a verificação do cumprimento da lei de igualdade salarial”, afirma Sampaio.

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