Carol Silva: pré-candidata da resistência e da sobrevivência
- lazzarimlouize
- há 21 horas
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“As pessoas podem ver o poder da representatividade em mim, entender que a política pode ser feita de quem veio do nada”
por Manoel Ramires
Dizem que ser de esquerda no sul é muito difícil. Ser de esquerda, no Paraná, ainda mais. Imagina ser de esquerda, negra e trans vivendo em um dos estados que mais assassinam travestis e transexuais no Brasil. Essa é a realidade que Carol Silva busca combater. Mas não como vítima ou vitimismo. Pré-candidata a deputada federal pelo PT, ela acredita “que estar na política pode nos ajudar a mostrar à sociedade como a comunidade trans só quer ser inserida na sociedade”. Inspirada em mulheres de luta como Dilma Rousseff, Érika Hilton e Duda Salabert que rompem preconceitos, quer ser mais uma voz no parlamento brasileiro para mostrar que a menina que “foi deixada pra viver a escassez e vulnerabilidade” consegue ressignificar sua vida e ajudar as outras pessoas. Também comprometida com o combate ao racismo, Carol Silva diz que a proximidade com a organização desta luta é fundamental “para ter mais conhecimento de pautas e para que eu sempre me lembre o motivo de estar aqui”.

Confira a conversa.
Por que você decidiu entrar para a política e, depois, decidiu concorrer a uma vaga de deputada federal?
Eu entrei para a política pela manutenção da vida! Calma, eu sei que essa resposta é direta e eu vou explicar.
Eu sou uma pessoa trans e vivo no país que mais mata pessoas como eu. É um país que na política partidária e institucional quase não temos a representação da minha imagem, pessoas como eu não fazem parte desse lugar e, quando fazem, são violentadas a todo momento, desacreditadas e colocadas como um problema a ser enfrentado.
Eu acredito que estar na política pode nos ajudar a mostrar à sociedade como a comunidade trans só quer ser inserida na sociedade, ser vista como força para todas os lugares da sociedade, como nós podemos fazer política pública para todas as pessoas, que nós só queremos garantir a nossa vivência e que não vamos destruir e nem ocupar o lugar de ninguém, que vamos somar para a um país progressista e humano.
E por quê você optou a concorrer a um cargo em Brasília e não estadual?
Eu acredito que estando na Câmara Federal, posso ajudar construir um futuro melhor para todas as famílias brasileiras, ajudando a construir um legislativo mais a quem da realidade do povo brasileiro, que traga a representatividade real a todas as pessoas e que faça do legislativo um poder que entenda a necessidade real da população brasileira e quando falamos de futuro, falamos de garantia de vida a todas as pessoas.
A Carol se inspira em quem? E no que as pessoas podem se inspirar em você?
Eu me inspiro nas mulheres que construíram o movimento social que estou inserida antes de mim, como Jovanna Baby, Keila Simpsons, Brenda Lee. Em mulheres que fazem política partidária como Dilma Rousseff, Érika Hilton, Katia Tapeti, Manuela D’villa, Duda Salabert e tantas outras que abriram portas para que eu possa estar galgando esse caminho a ser trilhado.
As pessoas podem ver o poder da representatividade em mim, entender que a política pode ser feita de quem veio do nada, sendo mais uma das tantas “Silvas” que fazem parte dessa nação e que hoje não estão escritas na história. Poderem ver que a menina trans, que foi deixada pra viver a escassez e vulnerabilidade, ressignificando tudo isso e propondo políticas públicas, entendendo que quem é fruto delas, sendo hoje quem as propõe.
Ter diálogo com a Secretaria de Combate ao Racismo do PT é importante por quê?
Para que possamos ter soma na proposição, para que possamos ter base no diálogo, para que se construa algo em coletividade. Ter esse laço de confiança e construção que possa me ajudar nos projetos e ter eles endereçados a quem mais precisa deles. Para ter mais conhecimento de pautas e para que eu sempre me lembre o motivo de estar aqui. É também sobre ter consciência de classe e de pertencimento, sempre lembrando da minha ancestralidade e que foi a partir dela que eu pude estar aqui, galgando esse lugar.




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