Giorgia Prates: atuação que ganha vigor no âmbito estadual
- Vigília Comunica

- há 4 dias
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Atual vereadora destaca que, por exemplo, a Lei Vini Jr, contra o racismo nos estádios virou referência nacional
por Pedro Carrano
São muitas pautas a serem levantadas por Giorgia Prates (Mandata Preta – PT), desde que assumiu uma vaga de vereadora na Câmara de Curitiba, em 2023. Da luta LGBTQIAPN+, passando pela cultura popular; ao marco da campanha Despejo Zero e da luta por moradia, ao lado da resistência contra o racismo religioso, o cuidado com os pets, entre outras trincheiras. “O que envolve muita coragem e cobrança, pautando essas temáticas para dentro da Câmara”, resume, destacando que, por exemplo, a Lei Vini Jr, contra o racismo tão presente nos estádios, virou referência nacional.

Além disso, Giorgia destaca a construção do espaço, de iniciativa de seu mandato, do Centro de Referência Afro (Creafro) Enedina Alves Marques, como espaço concreto onde a população negra pode recorrer quando do sofrimento de um ataque racista.
“As pessoas estão cada vez mais denunciando. Tem um protocolo que não é seguido, na escola, no comércio, em todo o lugar, e o racismo está muito presente na história do povo preto. O psicológico da pessoa não sabe para onde correr, passando a vida amargurada. Hoje a casa está entregue (…) há o espaço para proposições, o espaço de uma cozinha, e o espaço da negritude tem que ter comida”, narra, com serenidade e bom humor.
Na condição de pré-candidata agora aspirando à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), Giorgia pensa em levar esse leque e múltipla atuação para um lugar que também tem se caracterizado pelas ações ideológicas e pelo crescimento do neofascismo. De forma propositiva, a comunicadora aponta que seu raio de ação no plano estadual pode se ampliar na defesa da luta indígena, por exemplo.
“Minha pré-candidatura quer levar essas lutas para a Assembleia também, no contexto de palhaçada que virou esses plenários. Com a nossa experiência, quero olhar os problemas com olhar popular, negro e feminino do axé para todo o Paraná”, indica, preocupada com o atual desvínculo entre as casas legislativas e a vida real do povo trabalhador.
“Forma-se uma espécie de circo – baseado no medo, no ódio, um cenário que me preocupa, está crescente, deixa de dialogar com a vida real das pessoas, não estamos produzindo política real, temos que fazer esse enfrentamento, e construir uma esperança concreta, temos que ter um projeto popular”, usa, aqui, de certa forma, o verbo esperançar, apontando que uma das alternativas, em meio a um ambiente carregado de demogogia, é estar voltada aos problemas imediatos da população.
“Vou noutra linha, as pessoas veem o trabalho feito, vamos entregar trabalho, cada vez mais as pessoas estão sentindo necessidade, e cansando com esse extremismo. O lugar muito perigoso é o burocrático, distante da realidade das pessoas”, pondera.
Responsabilidade coletiva
Como única mulher negra hoje na Câmara de Curitiba (situação comparável à Alep, onde Renato Freitas é o único deputado negro, com risco de perseguição e cassação), Giorgia entende que há uma responsabilidade com a pauta do movimento negro, porém menos a partir de um lugar de representação individual e mais de construção coletiva. “Enxergo o poder de outra forma – a partir de outro lugar. A responsabilidade é coletiva, tudo o que eu faço é coletivo, pensado junto, feito junto, com autonomia das partes. A população negra sabe fazer, tem entrega, tem tudo, mas entendo e tenho cumprido a minha responsabilidade”, reflete.
Nascida na periferia de São Paulo, filha de liderança comunitária, formada em Pedagogia pela UFPR, da geração que participou de atos como o Fora Temer, de 2016, da Vigília Lula Livre, e de espaços de comunicação popular como é o caso do jornal Brasil de Fato Paraná, Giorgia aprendeu desde cedo a força e capacidade organizativa da mulher negra – vértebra e coluna das comunidades urbanas. É a partir daí o bordão que ela repete do “trabalho sem preguiça”:
“São as mulheres que abraçam tudo, não têm preguiça, não existe o ‘não dá’, mas vamos buscar até o final”, preconiza.




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