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Chuvas alagam ocupação Rio Negro, em Araucária, e expõem velhos problemas de infraestrutura

há 4 dias
3 min de leitura

Ana Júlia e Angelo Vanhoni, ambos do PT, estiveram no local e anunciaram cobrança à Prefeitura


por Guilherme Bittar


Movimento defende intervenções para melhorar o escoamento da água, a manutenção dos cursos d’água e as condições das vias. Foto: Malik Fotografia
Movimento defende intervenções para melhorar o escoamento da água, a manutenção dos cursos d’água e as condições das vias. Foto: Malik Fotografia

As fortes chuvas que atingiram o Paraná voltaram a provocar alagamentos na comunidade Rio Negro, no bairro Capela Velha, em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba.


A situação expõe problemas antigos enfrentados pelas famílias que vivem na região, marcada pela proximidade com cursos d’água, áreas alagáveis e pela precariedade de parte da infraestrutura urbana.


Rio Negro está entre as comunidades do Capela Velha que enfrentam problemas recorrentes em períodos de chuva intensa. Há registros de alagamentos no local pelo menos desde 2023, quando moradores também tiveram casas e ruas atingidas após dias de chuva.


A deputada estadual e candidata a deputada federal Ana Júlia Ribeiro e o vereador de Curitiba e candidato a deputado estadual Angelo Vanhoni, ambos do PT, estiveram na comunidade e conversaram com moradores.


Os dois defenderam medidas permanentes para reduzir os alagamentos. Vanhoni anunciou o envio de um ofício à Prefeitura de Araucária e o pedido de uma audiência com representantes da comunidade.


Na quinta-feira (10), a Defesa Civil de Araucária monitorava rios, encostas e áreas próximas a cursos d’água após o município registrar 60 milímetros de chuva em 24 horas. Foram identificados pontos afetados nos bairros Cachoeira, Costeira, Iguaçu, Boqueirão, Capela Velha e Campina da Barra.


Problema antigo


Um integrante do Movimento Popular por Moradia (MPM) afirma que a situação da Rio Negro faz parte de um problema mais amplo de ocupação e infraestrutura no Capela Velha.


Segundo ele, a região reúne cerca de sete ou oito comunidades em diferentes condições de consolidação. Entre elas estão Lagoa Azul, Rio Negro, Alvoredo 1, Alvoredo 2, Israelense e Arco-Íris. Algumas são mais antigas e já possuem discussões sobre regularização, enquanto outras permanecem em situação mais precária e continuam crescendo.


Parte da Rio Negro, de acordo com o integrante do movimento, foi formada sobre áreas que precisaram ser aterradas para a construção das moradias. A região também possui áreas alagáveis, o que aumenta a vulnerabilidade em períodos de chuva intensa.


Ele defende intervenções para melhorar o escoamento da água, a manutenção dos cursos d’água e as condições das vias. “Com infraestrutura, com investimento, esse tipo de situação, pelo menos, pode ser sanada pela prefeitura”, afirma.


O MPM também defende que eventuais remoções de famílias não ocorram sem uma solução habitacional definitiva. “Se é para sair dali, tem que ter um local definitivo”, afirma.


Segundo o relato, pesquisadores ligados à Universidade Federal do Paraná estão realizando um trabalho na região para levantar aspectos históricos, geológicos e ambientais do Capela Velha e contribuir com a discussão sobre as condições das comunidades instaladas na área.


Cobrança à Prefeitura


Durante a visita, Ana Júlia afirmou que a cobrança ao poder público deve continuar depois que a água baixar.


“A gente vai cobrar a Prefeitura, a gente vai incomodar, a gente vai buscar ajudar da forma que puder, não só agora que está tudo alagado, mas depois também”, disse.


Vanhoni afirmou que será encaminhado um ofício à Prefeitura de Araucária e solicitada uma audiência para que representantes da comunidade apresentem diretamente suas reivindicações.


“Vamos cobrar a Prefeitura, solicitando uma audiência para que o prefeito, o chefe de gabinete, o vice-prefeito ou secretário receba representantes da comunidade”, afirmou.


Segundo relato feito durante a visita, uma mobilização anterior da comunidade junto à Prefeitura levou ao envio de uma retroescavadeira para realizar a limpeza do curso d’água, há cerca de dois anos, mas o serviço não teria sido concluído.


Vanhoni defendeu intervenções de infraestrutura, regularização fundiária, limpeza do rio e saneamento. “O poder público tem responsabilidade com a vida, com a moradia de cada um que está aqui”, afirmou.


Ana Júlia também falou sobre a realidade das famílias que vivem na comunidade. “Ninguém quer viver nessa situação. A gente faz por necessidade. A gente faz porque quer construir um futuro melhor para as nossas famílias”, disse.


A deputada afirmou ainda que o atendimento emergencial precisa ser acompanhado por decisões sobre infraestrutura, regularização fundiária e condições de moradia. Durante a conversa, defendeu que a atuação pública não se limite ao período dos alagamentos e que as cobranças continuem depois da emergência.


“Vamos cobrar a Prefeitura, solicitando uma audiência para que o prefeito, o chefe de gabinete, o vice-prefeito ou secretário receba representantes da comunidade”, afirmou Vanhoni. Foto: Malik Fotografia
“Vamos cobrar a Prefeitura, solicitando uma audiência para que o prefeito, o chefe de gabinete, o vice-prefeito ou secretário receba representantes da comunidade”, afirmou Vanhoni. Foto: Malik Fotografia

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