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Vilas de Curitiba sofrem com falta de água durante três dias

Famílias no Tatuquara não conseguem dar banho nas crianças



por Pedro Carrano


Já para os moradores da Vila União, a carência desse bem fundamental tem sido um problema. Não é de hoje. Mas várias famílias com filhos não puderam sequer dar banho nos pequenos. Foto: Pedro Carrano
Já para os moradores da Vila União, a carência desse bem fundamental tem sido um problema. Não é de hoje. Mas várias famílias com filhos não puderam sequer dar banho nos pequenos. Foto: Pedro Carrano

Quando o calor volta à capital paranaense, mesmo fora de época, tem sido um grande sofrimento para famílias trabalhadoras da periferia de Curitiba.


Desta vez, novamente vilas e ocupações do bairro Tatuquara sofrem com três dias seguidos sem o serviço básico e fundamental.


Em que pese oficialmente a captação de água em Curitiba e RMC estar abaixo no esperando, é fato que parece haver uma seletividade e recorte de classe social na interrupção de fornecimento. A periferia é a primeira a ser atingida.


Com isso, o drama cresce entre famílias com filhos. A Sanepar avisa que apenas no dia 16 (segunda) estaria comprometido o serviço de água, quando relatos de vários moradores apontam a falta de água desde o sábado (14).


Neuzeli de Paula, diarista, que vive com dois filhos, contornou o problema buscando água nas redondezas de sua casa. "Fomos pegar água na bica, perto das hortas. Moro na Vila Evangélica, perto do colégio Monteiro Lobato”, conta. A trabalhadora afirma que bastante gente pegou água da bica. “A Sanepar está brincando com a gente”, critica.


Já para os moradores da Vila União, a carência desse bem fundamental tem sido um problema. Não é de hoje. Mas várias famílias com filhos não puderam sequer dar banho nos pequenos. “Não tem um pingo de água, sábado começou bem fraquinho, não tem água de descarga, não tem água de torneira, vou pedir três galão nas casas de cima”, narra Juliana Sauer, trabalhadora de coleta de recicláveis, que vive com três crianças pequenas em sua casa.


“O banho não está dando, meu netinho saiu ontem do hospital, não tem nem como dar banho nas crianças. Vão para a escola de cabelo amarrado”, aponta.

Vila Pantanal


A rua 13 da Vila Pantanal, no bairro Alto Boqueirão, periferia da capital, tem enfrentado esse mesmo problema, só que há meses.


A solução paliativa foi usar uma mangueira puxada de outra rua, só que insuficiente para atender cerca de 170 pessoas que habitam a rua.


“É ruim, não tem como dar banho direito e mandamos o filho para a escola, não tem como lavar a louça. Quando tem um dinheiro, compramos água mineral para beber”, afirma Cintia Gonçalves dos Santos, cuidadora, que vive uma casa de três pessoas. Mas, como diz, “tem mãe que tem sete filhos. A falta de água impacta em tudo”, critica.

De acordo com relatos, a Administração Regional da Prefeitura se comprometeu a colocar relógio comunitário no período de dez dias desde a última reunião com a associação de moradores, afirma Elessandra Barbora, presidente da Associação.


A reportagem da Vigília Comunica entrou em contato e enviou perguntas para a assessoria de imprensa da Sanepar, bem como para Guilherme Taques Pilatti, da coordenação Comercial Regional Curitiba Sul da empresa pública, mas ainda não obtivemos respostas.


Movimentos populares lançam campanha por infraestrutura nas comunidades


Diante da falta evidente de infraestrutura de água e luz em áreas de ocupação – recentes e antigas – em Curitiba e região metropolitana, movimentos populares no marco da Campanha Despejo Zero no Paraná devem lançar em breve campanha por água e luz nas comunidades.


Geralmente, empresas públicas e mistas – caso da Sanepar e da Copel (esta última, recentemente privatizada), justificam a ausência do serviço de água por conta de serem áreas de ocupação, sem regularização fundiária. Porém, a ausência de uma política de regularização fundiária justifica a falta de um direito básico por anos e décadas a fio?


Situação nacional


Considerado o ouro do futuro no contexto de disputas econômicas e geopolíticas, o Brasil apresenta importante armazenamento desse recurso e uma situação relativamente estável - 70% de armazenamento.


O Norte e Nordeste atualmente apresentam bons níveis. Por sua vez, o Sul é considerada a região mais pressionada - o que demanda políticas estratégicas.

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