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COPEL NO ESCURO I Bairros periféricos se organizam para evitar despejos em áreas da Copel

A terceira reportagem da série mostra como foi criada, neste semestre, a Associação Contra os Abusos da Copel (ACOP)


Pedro Carrano


Protesto em 2025 em Almirante Tamandaré contra risco de despejo contra a ocupação . Foto: Pedro Carrano
Protesto em 2025 em Almirante Tamandaré contra risco de despejo contra a ocupação . Foto: Pedro Carrano

Hoje em dia, há comunidades, bairros periféricos e áreas de ocupação em processo em conflito fundiário em áreas pertencentes à Copel.


A avaliação de especialistas e dirigentes sociais é de que, com a privatização da empresa de energia, em 2023, a pressão para retirada das famílias acelerou, desconsiderando muitas vezes o impacto social.


Associação contra os abusos da Copel


A mobilização chegou a tal ponto entre as áreas que foi criada, neste semestre, a Associação Contra os Abusos da Copel (ACOP), uma iniciativa que nasce da organização popular, da resistência e da luta coletiva das famílias atingidas pelas remoções e violações cometidas nas áreas de linha de transmissão da Copel, como se declara o movimento.


Um dos principais animadores desse processo de resistência chama-se Davi Taborda, que é líder comunitário em área ameaçada na cidade de Almirante Tamandaré, região metropolitana de Curitiba. Três áreas estão em risco na cidade, são elas: Lamenha Grande, Colônia São Venâncio e Parque São Jorge. Somam-se a elas residências nos bairros de Curitiba Santa Quitéria, CIC e Orleans.


“Energia não pode ser só lucro, precisamos de rede elétrica nas áreas de ocupação, das antigas às mais recentes”, afirma a liderança, em entrevista para a Vigília Comunica.


Taborda está num processo de visita às comunidades e acredita que e ACOP deve conseguir mobilizar por volta de mil famílias.


A avaliação de especialistas e dirigentes sociais é de que, com a privatização da empresa de energia, em 2023, a pressão para retirada das famílias acelerou. Foto: Pedro Carrano
A avaliação de especialistas e dirigentes sociais é de que, com a privatização da empresa de energia, em 2023, a pressão para retirada das famílias acelerou. Foto: Pedro Carrano

Entrega de serviço de luz


A iminência do risco de despejo é o fator mais emergencial. Porém, é fato que há ocupações recentes e antigas que necessitam também do serviço de energia e que hoje não o possuem, como é o caso das áreas 4 de Novembro, Guaporé 2, Vila União, Pontarolla, Graciosa, em Pinhais, Nova Esperança em Campo Magro, 29 de janeiro no Uberaba, entre outras.


Nilton Gonzaga, dirigente da União Nacional por Moradia Popular (UNMP) e liderança comunitária da área Jardim Modelo, em São José dos Pinhais, aponta que há muito desgaste das famílias que esperam para ser realocadas.


“Eu já tinha um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para realocação das famílias, um passo bem adiantado em relação a outras áreas. Mas está tudo bagunçado, a prefeitura já tinha comprado um terreno e iria realocar as famílias. Se a gente não reage e não interfere, eles iam cumprir a reintegração. Agora, estamos em contato com a Comissão de Soluções Fundiárias”, afirma Gonzaga, para quem as famílias necessitam de respostas.


Um dos principais animadores desse processo de resistência chama-se Davi Taborda, que é líder comunitário em área ameaçada na cidade de Almirante Tamandaré. Foto: Pedro Carrano
Um dos principais animadores desse processo de resistência chama-se Davi Taborda, que é líder comunitário em área ameaçada na cidade de Almirante Tamandaré. Foto: Pedro Carrano

Copel defende acompanhamento das áreas


Em resposta à demanda da Vigília Comunica sobre a relação entre a empresa e os locais de moradia, a assessoria de imprensa enviou a seguinte resposta, na íntegra:


“A Copel informa que busca, em conjunto com a Comissão de Soluções Fundiárias do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), o atendimento às demandas das comunidades instaladas na faixa de domínio das linhas de transmissão nos municípios de Almirante Tamandaré e São José dos Pinhais. A companhia suspendeu ações judiciais vinculadas à proibição da instalação de rede elétrica em locais sem regularização fundiária. Em ambas as localidades, a Copel mantém tratativas com as prefeituras locais com vistas à relocação das famílias das áreas de risco e ao atendimento com energia de forma a garantir a integridade e a segurança dos moradores, uma vez que há risco na permanência sob linhas de transmissão de alta tensão. Quanto às outras ocupações, a Copel também trabalha junto às administrações municipais para que os religamentos sejam possíveis em conjunto com os processos de urbanização das áreas segundo os trâmites legais”.



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