Daniel Vorcaro presta depoimento à PF por cerca de 4h30 em investigação
Ex-banqueiro foi interrogado por cerca de 4h30 sobre suspeitas de favorecimento ao Banco Master; em junho, PF e PGR rejeitaram as propostas de delação premiada por avaliarem que os acordos não trariam informações novas ou relevantes às investigações
por Adi Spezia
O ex-presidente do Banco Master Daniel Vorcaro prestou depoimento à Polícia Federal (PF) na sexta-feira (28), em uma oitiva que durou aproximadamente quatro horas e meia. O interrogatório ocorreu de forma virtual, a partir da carceragem da Papudinha, unidade vinculada ao 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, onde o ex-banqueiro está detido desde março de 2026.

A audiência havia sido adiada anteriormente em razão de problemas de conexão com a internet. O depoimento integra o inquérito que investiga a atuação de dois ex-servidores do Banco Central suspeitos de terem favorecido o Banco Master em troca de vantagens financeiras.
Segundo as investigações, a Polícia Federal apura se Vorcaro teria recebido informações privilegiadas dos então funcionários do Banco Central. A suspeita é de que eles tenham atuado internamente em benefício do banqueiro, repassando informações de interesse da instituição. As perguntas feitas durante a oitiva se concentraram nesse episódio.
As investigações também avançaram sobre o patrimônio de Vorcaro. Durante diligências para localizar bens e ativos, a PF identificou recursos e propriedades relacionados ao ex-banqueiro em países como Alemanha e Estados Unidos.
O caso ganhou maior repercussão após virem à tona informações sobre repasses financeiros e relações com integrantes do meio político. Entre os episódios investigados está o financiamento de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, intitulado _Dark Horse_.
O interrogatório ocorreu após a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitarem formalmente duas propostas de delação premiada apresentadas pela defesa de Vorcaro, em junho de 2026. As instituições avaliaram que os acordos não acrescentariam informações consideradas novas ou relevantes às investigações.
Em nota, a defesa afirmou que Vorcaro respondeu de maneira “clara e consistente” aos questionamentos feitos durante a audiência e sustentou que não houve qualquer ato de corrupção envolvendo os servidores citados no inquérito.
Os advogados também declararam que o ex-banqueiro permanece disposto a fornecer esclarecimentos mais amplos sobre os fatos investigados, desde que sejam asseguradas condições efetivas para uma eventual colaboração com as autoridades.
Vorcaro é um dos principais alvos da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. A investigação apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e irregularidades relacionadas à tentativa de aquisição da instituição pelo Banco Regional de Brasília (BRB), banco público vinculado ao Governo do Distrito Federal.
De acordo com as investigações, as operações sob apuração podem ter provocado um prejuízo de até R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), entidade responsável por garantir a proteção de determinados investimentos e ressarcir investidores em situações previstas na legislação.




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