Em debate truncado, Lula e Bolsonaro trocam farpas e acusações
Ao final, Lula consegue pautar investimento das estatais e crítica às privatizações de Bolsonaro
por Redação Vigília Comunica

O debate de hoje da Band iniciou duro e acirrado entre os dois candidatos, o presidente Lula (PT), 80, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), 45. Foi o primeiro confronto direto entre os dois políticos, uma vez que Lula já havia enfrentado Jair Bolsonaro, o pai, em 2022. Sobretudo no primeiro bloco, prevaleceram mais as denúncias de corrupção do que as questões programáticas e medidas concretas.
Após o início do debate sobre segurança pública, Lula afirmou que os estados "fracassaram" na pauta. "Todo mundo sabe que a Constituição de 1988 garantiu que a segurança pública era de responsabilidade dos estados. Acontece que os estados fracassaram. Nenhum estado conseguiu resolver o problema da segurança pública”, indicou Lula.
Já Flávio segue afirmando sua pauta de classificar organizações e façcões criminosas – caso do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como narcoterroristas – o que abre espaço para o risco de tentativa de incidência do governo dos EUA sobre a segurança pública no país.
Flávio recorreu várias vezes à denúncia de vínculo entre o filho de Lula, Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger. Por sua vez, Lula afirmou que esse caso deve ser investigado pela Polícia Federal. Mas afirmou confiar no filho e, ao final, desafiou Bolsonaro a quebrar o sigilo de celular e conta bancária.
Ao longo do primeiro bloco, Lula questionou Flávio muitas vezes por ter pedido R$ 134 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para supostamente bancar a produção de Dark Horse, filme estadunidense sobre a vida de Jair Bolsonaro.
"O que você fez com esse dinheiro? É só explicar. Onde você colocou esse dinheiro?", perguntou Lula. E, sobre Vorcaro, apontou: “Fizeram dele um banqueiro e eu fiz um prisioneiro, apontou Lula.
Apropriação de pautas
Flávio tentou surfar na onda do fim da escala 6 x 1, afirmando-se favorável ao tema. Lula argumentou que o senador não conheceria a realidade do trabalhador e que nunca teria trabalhado. Sobre o preço dos alimentos, Lula afirma que tem consciência sobre o atual alto preço dos alimentos, mas que estavam mais altos, segundo ele, no governo Bolsonaro. Acusou ainda o governo Bolsonaro de não ter corrigido o salário mínimo.
Flávio, ao longo do debate, insistiu no discurso da prosperidade, prometeu reduzir a taxa de juros, buscou falar diretamente com o espectador. Ele também buscou, a todo momento, atrapalhar as falas de Lula ou passar por trás do presidente, aparecendo nas câmeras durante as falas de Lula - o que rendeu inclusive memes na internet.
Lula, irritado no início, mas a partir do terceiro bloco restabeleceu questões programáticas, como SUS, investimento na indústria e criticou o adversário de submissão ao governo dos EUA no tema da taxação do comércio entre os países.
O melhor momento de Lula, no entanto, foi nas considerações finais, quando acusou o grupo de Flávio Bolsonaro de querer privatizar a Petrobras, reforçou que as estatais “têm que ser fortes”, e criticou a privatização de Bolsonaro da BR Distribuidora. Sabe-se, como já indicou estudo da Quaest, que o tema das privatizações não conta com apoia da maioria da população.





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