Assembleia popular em Rio Bonito do Iguaçu marca os 35 anos do MAB
- Vigília Comunica

- 12 de mar.
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Atualizado: 13 de mar.
por Luis Lomba
O MAB - Movimento dos Atingidos por Barragens - realizou nesta quinta-feira (12) uma assembleia popular dos atingidos pelo tornado em Rio Bonito do Iguaçu e região, ampliando o debate sobre direitos, justiça climática e reconstrução com participação popular. O ato integra a Jornada de Lutas do MAB e marca os 35 anos de existência do movimento popular, que recebeu das mãos da deputada estadual Luciana Rafagnin (PT) menção honrosa aprovada por unanimidade pela Assembleia Legislativa do Paraná.

“Nós aprovamos essa menção honrosa por toda as lutas e conquistas do MAB. É um reconhecimento a uma instituição que esteve e está presente em todos esses momentos difíceis aqui no Rio Bonito, mostrando solidariedade, preocupação com as vidas e com o ser humano”, disse Luciana ao entregar a menção a Maristela da Costa Leite, integrante paranaense da liderança nacional do MAB.

Maristela destacou a importância da assembleia popular em Rio Bonito. “É sempre bom a gente fazer encontros como esse, que tem um caráter de reflexão, de debate, mas principalmente de reafirmação da nossa luta. Março é um mês muito simbólico para nós atingidos por barragens, quando celebramos a luta em defesa dos rios, das águas e pela vida”, disse.

A Jornada Nacional de Lutas do MAB acontece todos os anos tradicionalmente no mês de março. O tema desta vez é “Atingidos em Luta por Direitos, Soberania e Paz” e o local escolhido foi Rio Bonito do Iguaçu. O mês tem datas importantes para o Movimento, como o Dia Internacional da Mulher (8) e o Dia Mundial da Água (22). No dia 14 de março é comemorado o aniversário do MAB.
Em sua fala na assembleia popular Maristela ressaltou o contexto da crise climática em que ocorreu o tornado em 7 de novembro de 2025 e os desafios nesse momento da luta por dignidade, justiça social e soberania dos povos e territórios. Ela caracterizou a região como marcada pela construção de usinas hidrelétricas, pelos impactos desses empreendimentos na natureza e nas pessoas e pela violação de direitos humanos. “Nós estamos a 20 km da usina Salto Santiago, construída na década de 70 com recursos públicos e privatizada na década de 90. Foz da Areia, Salto Segredo, Caxias, Salto Santiago e Baixo Iguaçu, todas essas usinas impactam diretamente as vidas de milhares de famílias”, disse.

“Hoje nós vivemos uma nova realidade, que é a das mudanças climáticas. E isso atinge a todos nós”, prosseguiu Maristela. “O tornado que aconteceu aqui em Rio Bonito e municípios da região é a prova disso. As mudanças climáticas se tornaram parte das nossas vidas e nós precisamos nos organizar para enfrentar isso”, completou.
O atraso na reconstrução de Rio Bonito foi outro ponto da fala da dirigente do MAB. “Ressaltamos a necessidade da participação do povo nos processos de decisão. A população precisa ser respeitada, os territórios precisam ser protegidos. Nós precisamos construir um presente e um futuro no qual o desenvolvimento não esteja acima da vida. Para isso, existe uma condição fundamental, que é a organização do povo. A história do MAB nos ensina que quando o povo se organiza, quando constrói luta coletiva, é possível conquistar direitos e é assim que nós vamos seguir”, afirmou.
O deputado estadual Professor Lemos (PT) também participou da assembleia popular. Ele lembrou que em 1985 foi organizada a primeira Romaria da Terra, com o lema Águas para a Vida e Não para a Morte, que hoje é ecoado pelo MAB. Lemos relatou que luta para aprovar na Assembleia Legislativa uma lei criando o plano estadual para contemplar os atingidos por barragens no Paraná. “É preciso que a riqueza que é embolsada por poucos proprietários de barragens seja redistribuída para as famílias das regiões afetadas”, defendeu.

Quem está organizado vai mais longe, afirmou o deputado federal Elton Welter (PT) durante a assembleia popular. “A gente está aqui nessa luta para ampliar o direito ao bem estar das famílias brasileiras, que precisam de renda, de casa e de paz”, disse.

O promotor de Justiça Carlos Bitencourt reconheceu o valor do trabalho do MAB após a tragédia em Rio Bonito. “Pude testemunhar muito de perto como foi extremamente relevante aqui no município o trabalho da sociedade civil, dos movimentos sociais e especialmente do MAB. Seja na Cozinha Solidária, seja na Casa dos Atingidos, ajudando as pessoas. Então é muito importante que as lideranças comunitárias estejam, como estão aqui, com o MAB e com o Ministério Público Federal”, afirmou.

Também participaram da mesa do evento o diretor do campus Laranjeiras do Sul da Universidade da Fronteira Sul, Fabio Zaneratti; e o coordenador do Fórum das Entidades, Inácio Werle. A assembleia popular foi coordenada por Jucineide do Nascimento Oliveira e Doriane de Fátima Bortoluzzi, ambas de Rio Bonito do Iguaçu.



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