Milton Alves: "Só comparar não basta, é preciso falar do futuro!
"Queremos um Brasil forte e soberano, que garanta a soberania energética"
por Milton Alves*

A campanha eleitoral avança para a reta final. Diversas pesquisas de opinião apontam para uma disputa acirrada, voto a voto, no primeiro e segundo turnos. O candidato da extrema direita, apesar de corrupto e fraco, sem carisma, apresenta uma potência eleitoral, conquistando os votos de setores populares com base no desencanto, da raiva ao sistema político e das instituições da República apodrecidas e da exploração primária da insegurança pública nos grandes centros urbanos.
Além disso, conta com a simpatia velada de setores das altas finanças, do agronegócio predador e de lideranças políticas e religiosas mobilizadas pelo discurso do pânico moral.
O candidato do bolsonarismo ainda arrasta o apoio eleitoral de um vasto segmento de classe média nas grandes e médias cidades, principalmente das regiões do Sul e Sudeste. Essa é a base social que sustenta a candidatura de Flávio Bolsonaro.
As eleições de 2026, novamente, encontram um país dividido, cindido praticamente ao meio. É o que chamam de polarização - um dado objetivo da situação. Diante desse quadro, a campanha de Lula precisar adotar uma outra postura, uma condução politica de enfrentamento com base numa pauta popular, que acene para um quarto mandato transformador. Uma pauta que dialogue com o coração e as mentes dos brasileiros e brasileiras, agoniados pelas agruras das condições de vida, pela precarização e da incerteza sobre o futuro. Uma atenção especial aos jovens, tragados por um discurso de ressentimento.
No lugar do ressentimento, apresentar o futuro. Não é com o "Pé de meia", programa de baixo impacto, que vamos ganhar o voto da juventude. É preciso um discurso que fale a favor de uma política de empregos de qualidade, com a reindustrialização do país, da implantação de uma rede ensino técnico-profissional abrangente, com a inovação tecnológica e as novas possibilidades abertas pela IA, a formalização do trabalho dos trabalhadores e trabalhadoras de aplicativos e a reconstrução das universidades públicas.
Para a classe trabalhadora, garantir o fim da escala 6x1, uma politica de valorização do salário mínimo mais forte, a revogação das reformas da previdência e por uma CLT renovada, a tarifa zero progressiva para garantir a mobilidade urbana, uma reversão das privatizações e mais SUS.
Para as mulheres, mais proteção, combate duro ao feminicídio e a misoginia, casas de abrigo 24 horas e uma política especial de moradia, para as mães solo.
E o Brasil do futuro?
Queremos um Brasil forte e soberano, que garanta a soberania energética, de dados, a Terrabras, para cuidar do ouro do futuro - os minerais críticos. No plano de uma política soberanista: a integração Regional, relançar o Mercosul e a luta por nova ordem mundial.
E para além desse programa popular, sinalizar com uma reforma política radical, o fim das emendas parlamentares e a adoção de mecanismos para garantir maior participação popular na política (plebiscitos).
Na segurança pública, o combate duro aos partidos do crime e aos seus banqueiros - com a implantação do SUSP. E fim do arcabouço fiscal para financiar a pauta do povo. É preciso traduzir toda essa agenda programática em uma narrativa de campanha. Uma campanha mobilizadora, esclarecedora e combativa, que desmonte o candidato capacho de Trump e filhote da milícia, que fez sua carreira política batendo a carteira do dinheiro público.
Ainda há tempo para virar a rota da campanha, e ganhar as ruas com combatividade, animando a militância petista e dos partidos aliados. E medidas para intensificar a campanha em São Paulo, Rio e Minas. Lula presidente e por um quarto mandato transformador.
*Analista político e jornalista
**Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do/a autor/a.




Comentários