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Ministra das Mulheres reforça a importância feminina nas decisões do Estado

30 de set.
4 min de leitura

O encontro, organizado pelo Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge-PR), dialogou sobre o papel da mulher no avanço democrático do país


por Gabriela Zadvorne


Diante das narrativas proclamadas nas eleições de 2026, o voto feminino ganhou um novo peso. Foto: Joka Madruga
Diante das narrativas proclamadas nas eleições de 2026, o voto feminino ganhou um novo peso. Foto: Joka Madruga

Um grupo de mulheres sindicalistas unidas para reafirmar o poder feminino diante das decisões do Estado e da categoria. É assim que podemos descrever o impacto social do coletivo de mulheres do Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge-PR), que organizou, na noite desta terça-feira, 29 de setembro, um evento de diálogo com a Ministra das Mulheres do governo federal, Márcia Lopes.


O Encontro, que leva o nome de “Senge-PR com as mulheres”, reuniu engenheiras, militantes paranaenses, sindicalistas, homens da categoria, candidatas ao Legislativo e à Câmara Federal, além de receber também o apoio do candidato ao Senado pelo Paraná, Dr. Rosinha (PT). Todas e todos pautados pelo princípio de reafirmar a posição das mulheres nas decisões do Estado.


Número de feminicídios


No Paraná, o terceiro Estado com mais números de feminicídios do país, um evento como este ganha simbologia ainda maior: em uma categoria majoritariamente masculina e marcada pela heteronormatividade, reafirmar conquistas históricas como o voto feminino também significa reconhecer que a participação de mulheres na política precisa estar acompanhada da defesa de seus direitos.


Não basta apenas votar em mulheres: é preciso fortalecer mulheres comprometidas com a

defesa de outras mulheres e com o enfrentamento ao feminicídio.


A ministra Márcia Lopes explica que as estruturas de competição travadas pela heteronormatividade, pelo machismo e pelo sexismo são exemplos concretos da deslegitimação e desconstituição de direitos femininos no Brasil.


“Houve, ao longo da história, esse sentido de competição entre mulheres e homens e entre as mulheres com as mulheres. Isso também fez parte do jogo, das estratégias de desconstituição das próprias mulheres”, destaca Márcia.

Diante das narrativas proclamadas nas eleições de 2026, o voto feminino ganhou um novo peso, esse agora é também responsável pela vida de suas iguais. Por isso, Márcia reitera que a posição adotada por mulheres progressistas se dá como uma forma de transformar a realidade do país, mudando relações, objetivos e até estratégias defendidas pelo Estado.


“Então, tudo que a gente quer pedir, conclamar, é que as mulheres votem nas mulheres, que as meninas e mulheres votem nas mulheres. Nós não temos dúvida de que isso vai mudar a realidade do Estado e do Brasil”, completa a ministra.


Paraná: o Estado atrasado


Durante o evento, que teve transmissão online, falas e intervenções políticas de quadros feministas do Paraná foram bem-vindas, e essas revisitaram também o impacto de políticas voltadas a mulheres em um Estado que formalizou a adesão ao Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios apenas em agosto de 2026.


A iniciativa, que reúne ações de diferentes áreas e instituições para prevenir a violência contra mulheres e meninas e fortalecer a rede de proteção, foi instituída pelo Decreto Federal nº 11.640/2023 e prevê a participação de estados e municípios e articula políticas públicas nos três níveis de prevenção: primária, secundária e terciária.


Mas, no Paraná, um dos líderes no ranking de mortes por feminicídio, a expressividade e o aumento de casos não foram o suficiente para o pacto ser aderido com urgência. A presidenta do Sindicato dos Engenheiros do Paraná, Ágatha Branco, explica o imediatismo de dialogar com as mulheres da categoria não apenas para que conheçam seus direitos, mas que tenham o sindicato como uma rede de apoio e de luta contra a violência contra a mulher.


“Aqui a gente tá trabalhando para isso também. Eu acho que é importante a gente divulgar. É importante que as mulheres conheçam os seus direitos e que possam buscar esse apoio. Então, a gente tá aqui também para acolher e para lutar”, afirma a dirigente.


A desconstrução de um paradigma


Reiterar a posição dos direitos das mulheres tornou-se a objetificação do cumprimento social de um sindicato com atuação para além das lutas da categoria. Mesmo sendo majoritariamente formado por homens, a liderança feminina de Ágatha Branco e da diretora do coletivo de mulheres do Senge-PR, Edilene Andreiu, afirmam a necessidade da quebra de paradigma que estigmatiza mulheres engenheiras.


“É um sindicato majoritariamente masculino e que a gente tem trabalhado com políticas para as mulheres. A gente precisa ter mais mulheres na engenharia, trazer meninas que façam engenharia e que essas engenheiras venham no Sindicato conhecer. Porque aqui é um espaço para as mulheres também”, reafirma a presidenta.


Durante o evento, as falas se organizaram também em uma cobrança para que os homens também participem das formações, até porque a mudança também precisa partir daqueles que reproduzem e sustentam estruturas de desigualdade e violência contra as mulheres.


A luta para que não haja retrocessos


Diante de uma eleição presidencial acirrada, muitas foram as intervenções sobre o papel feminino na disputa que ocorre no próximo domingo, 4 de outubro, e promete levar cerca de 83.877.126 às urnas. Dado que corresponde a 52,84% do total do eleitorado brasileiro.


Comprovada a importância, mulheres se tornam maioria na disputa de ideias, projetos e de futuro. Por isso, a escolha presidencial também é um risco, pois não se pode haver margem para a retirada de direitos e para o retrocesso social.


A secretária da Mulher do Diretório Estadual do Partidos dos Trabalhadores do Paraná (PT-PR), Marilda Ribeiro da Silva, aproveitou o momento de formação para reiterar a posição de luta das mulheres e a importância de uma escolha consciente de seus votos.


“Nós teremos uma eleição no próximo domingo, e nós precisamos garantir que não haja retrocesso nas políticas públicas para as mulheres no Brasil. E isso só é possível elegendo um presidente que reconheça que mulher precisa estar no orçamento pleno. Que não diga que mulher é uma fraquejada, que mulher merece ser estuprada, que mulher não pode trabalhar porque engravida”, explica Marilda.


A liderança afirmou também a necessidade de reeleger o presidente Lula para a certificação da continuidade desses direitos. “Por isso, pela vida das mulheres, por mais políticas públicas para as mulheres, é Lula presidente no próximo domingo”.


Mesmo sendo majoritariamente formado por homens, a liderança feminina de Ágatha Branco e da diretora do coletivo de mulheres do Senge-PR, Edilene Andreiu, afirmam a necessidade da quebra de paradigma que estigmatiza mulheres engenheiras. Foto: Joka Madruga
Mesmo sendo majoritariamente formado por homens, a liderança feminina de Ágatha Branco e da diretora do coletivo de mulheres do Senge-PR, Edilene Andreiu, afirmam a necessidade da quebra de paradigma que estigmatiza mulheres engenheiras. Foto: Joka Madruga

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