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Movimentos sociais e religiosos das Américas denunciam ingerência estrangeira e defendem soberania dos povos

há 7 dias
3 min de leitura

Manifesto reúne organizações de diferentes tradições de fé e cobra proteção aos territórios, fim das sanções e do intervencionismo e defesa dos direitos humanos


por Adi Spezia


Movimentos sociais, organizações e representantes de diferentes tradições de fé das Américas e do Caribe divulgaram o “Manifesto pela Vida, pela Democracia e pelo Bem Viver”, no qual denunciam intervenções estrangeiras na região, defendem a soberania dos povos e reivindicam proteção aos territórios, aos direitos humanos e à natureza.


Crédito: Raoni Figueiredo\Divulgação
Crédito: Raoni Figueiredo\Divulgação

Construído a partir de um diálogo ecumênico e inter-religioso, o documento reúne perspectivas cristãs, muçulmanas, judaicas, indígenas e afrodescendentes. Os signatários afirmam compartilhar valores como a defesa da vida, a justiça, a solidariedade e o cuidado com a criação.


O manifesto rejeita qualquer forma de intervenção nos países da região e critica a atuação de governos, corporações, indústrias extrativistas, instituições financeiras e empresas do setor de armamentos. Para os signatários, os territórios são fonte de sustento e força dos povos e representam uma herança que deve ser preservada.


O documento denuncia ainda os impactos de conflitos armados, bloqueios econômicos, sanções e outras medidas que, segundo as organizações, têm provocado mortes e agravado a situação de populações indígenas, afrodescendentes e de outros povos. Os signatários também criticam o uso da chamada “ajuda humanitária” como justificativa para ações de ocupação e exploração de recursos naturais.


Entre as reivindicações está a defesa da soberania da Venezuela. Nesse ponto, o documento pede que organismos internacionais condenem os Estados Unidos pela chamada “Operação Resolução Absoluta” e exige a libertação imediata e incondicional do presidente Nicolás Maduro e da deputada Cilia Flores, além do envio do caso à Corte Penal Internacional.


As organizações também defendem a revogação das sanções unilaterais contra Venezuela, Nicarágua, Cuba, Síria e Irã e o fim do bloqueio econômico contra Cuba. O documento cobra ainda o término da intromissão dos Estados Unidos no Brasil e na região, além de medidas para enfrentar os desaparecimentos forçados e o tráfico de armas no México.


Para o Haiti, os signatários reivindicam o fim da tutela e das pressões de Estados Unidos, França e Canadá, o cancelamento da dívida externa considerada ilegítima e o encerramento do que classificam como saque histórico. Também pedem o fim da perseguição a lideranças indígenas, afrodescendentes e defensoras dos direitos humanos, além da retirada de bases militares estadunidenses da região.


O manifesto exige ainda a suspensão de qualquer tipo de cooperação do governo de Israel com os países da região. Segundo os signatários, iniciativas apresentadas como apoio humanitário ou assessoria técnica poderiam encobrir ações militares externas e servir para amenizar a imagem internacional de autoridades israelenses diante das denúncias ligadas à guerra em Gaza.


Entre os compromissos assumidos estão a oposição à Doutrina Monroe, a defesa irrestrita do princípio da não intervenção e a condenação ao que o documento classifica como genocídio contra o povo palestino. As organizações propõem também uma reforma ampla no sistema das Nações Unidas, com a democratização do Conselho de Segurança e a limitação do poder de veto das grandes potências.


Assinado por organizações como a Comissão Pastoral da Terra (CPT), Cáritas Brasileira, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Fórum Ecumênico ACT Brasil, KOINONIA – Presença Ecumênica e Serviço, Centro Martin Luther King e diversas entidades religiosas e sociais das Américas, o manifesto convoca as comunidades a transformar as reivindicações em ações concretas, fortalecendo redes de solidariedade, economias comunitárias e a articulação entre diferentes povos e tradições de fé.

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