Pesquisadora da UFPR descobre remédios e drogas no sangue de tubarões
- lazzarimlouize
- 11 de mai.
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por Redação Vigília Comunica
Um estudo publicado recentemente na revista Environmental Pollution, renomada publicação acadêmica de Londres, revela a descoberta de cocaína, cafeína e medicamentos no sangue de tubarões do Caribe.

O estudo é assinado pela pesquisadora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Natascha Wosnick. Na área costeira da Ilha Eleuthera (Bahamas), a equipe de pesquisa coletou amostras de 85 indivíduos pertencentes a 5 espécies diferentes de tubarões, incluindo tubarões-tigre, tubarões-de-ponta-preta, tubarões-de-recife-do-caribe, tubarões-lixa-do-atlântico e tubarões-limão.
A pesquisa inédita, coordenada pela UFPR e Fiocruz, detectou resíduos de drogas ilícitas e fármacos em predadores, evidenciando o impacto severo da poluição urbana e os riscos da contaminação no sangue de tubarões para a segurança alimentar e a saúde pública global.
Os resultados revelaram que 28 tubarões continham pelo menos um dos seguintes compostos: cocaína, cafeína, acetaminofeno (paracetamol - um analgésico) e diclofenaco (um medicamento anti-inflamatório).
A identificação dessas substâncias foi possível graças à técnica de cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massas em série (LC–MS/MS). Esse método permite separar e pesar moléculas com precisão cirúrgica, detectando compostos mesmo em concentrações ínfimas no soro sanguíneo. Os dados reforçam que o descarte inadequado de esgoto e a falha no tratamento de resíduos urbanos estão transformando os oceanos em depósitos químicos de alta periculosidade.
O estudo foi liderado por Wosnick através do Instituto de Cabo Eleuthera, nas Bahamas, e contou com a colaboração técnica da professora Rachel Ann Hauser-Davis, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), onde as amostras foram processadas no Brasil.
A importância do estudo reside no fato de ser o primeiro no mundo a relatar cafeína e paracetamol em tubarões, além de marcar o primeiro registro de cocaína e diclofenaco em espécimes na região caribenha.
Além disso, o estudo fornece uma das primeiras evidências da presença de cocaína nessa espécie nas Bahamas. A equipe de pesquisa também observou alterações em diversos indicadores fisiológicos importantes. Peixes contendo esses compostos apresentaram diferenças nos níveis de triglicerídeos (gordura no sangue), ureia e lactato (indicadores relacionados ao metabolismo e ao estresse fisiológico).
Segundo os cientistas, esses compostos provavelmente chegam ao ambiente marinho através de águas residuais urbanas, atividades turísticas e fontes antropogênicas.
O conceito de "tubarões da cocaína" ganhou destaque pela primeira vez em um projeto de mídia científica em 2023, vinculado a uma série documental do Discovery Channel.
A equipe de pesquisa então conduziu experimentos de campo nas águas da Flórida, uma área anteriormente conhecida como rota de tráfico marítimo de drogas, com a hipótese de que os tubarões poderiam entrar em contato com pacotes de cocaína perdidos no mar.
Durante o experimento, os cientistas lançaram objetos que simulavam pacotes de cocaína na água e monitoraram a reação dos tubarões. Alguns tubarões se aproximavam rapidamente, comportavam-se de maneira incomum e até ficavam mais agitados do que o normal.
Essas observações levantam a questão de se os estimulantes, caso presentes no ambiente marinho, poderiam influenciar o comportamento desse predador. No entanto, os experimentos de 2023 foram principalmente simulações e observações, e não forneceram evidências químicas diretas de que os tubarões realmente absorvem cocaína na natureza.
Além dos tubarões, muitos outros estudos ao redor do mundo também documentaram o fenômeno de animais sendo afetados por compostos liberados no meio ambiente pelos seres humanos.
Ao contrário do que sugere a ficção cinematográfica, a presença de estimulantes não gera comportamentos agressivos ou “eufóricos” nos animais. “Essa associação só reforça um medo histórico exagerado que contribui para a perseguição desses animais”, alerta a pesquisadora Natasha Wosnick. O perigo real é invisível e fisiológico. A contaminação no sangue de tubarões provoca alterações em marcadores vitais, como os níveis de triglicerídeos, ureia e lactato. Como os tubarões compartilham vias metabólicas com outros vertebrados, as substâncias desenvolvidas para humanos podem comprometer gravemente o sistema endócrino, o fígado e o sistema nervoso desses predadores, afetando desde sua saúde geral até sua capacidade reprodutiva.




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