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Prefeitura quer retirada de famílias da ocupação Primavera

Famílias devem ser encaminhadas para aluguel social, mas pedem mais tempo para conseguir imóvel


por Pedro Carrano



Comunidade está preocupada com o preço dos alugueis, mesmo na periferia, e o prazo curto para sair do local onde estão desde 2024. Foto: Pedro Carrano
Comunidade está preocupada com o preço dos alugueis, mesmo na periferia, e o prazo curto para sair do local onde estão desde 2024. Foto: Pedro Carrano

A necessidade de moradia para a classe trabalhadora faz com que, a todo momento, novas ocupações surjam, geralmente na periferia e no entorno da capital.


Essa movimentação de trabalhadores, desempregadas, donas de casa, migrantes, trabalhadores precarizados, que muitas vezes precisam se deslocar de uma ocupação para outra, vivendo de despejo em despejo forçado, é uma realidade encoberta e que, no final das contas, pouca gente vê. Como se as pessoas fossem desconhecidas ou invisibilizadas.


Essa é uma parte da história da Primavera, ocupação iniciada em 2024, no bairro Uberaba, ao que tudo indica em terreno municipal, perto da marginal leste do canal Belém. São, ao todo, 28 famílias cadastradas, com destaque para o número de mulheres e crianças.


A reportagem da Vigília Comunica conheceu várias delas, porque a comunidade fez questão de mostrar que teria pouco tempo para encaminhar a proposta da Cohab de recebimento do auxílio aluguel de R$ 800 e saída dali em 14 dias.


As casas da ocupação Primavera são de material precário. Foto: Pedro Carrano
As casas da ocupação Primavera são de material precário. Foto: Pedro Carrano

As famílias negociaram ontem (16) com a Companhia o recebimento do auxílio, de acordo com Decreto 2504. No entanto, alegam muitas dificuldades tanto com os preços do aluguel da região e, além disso, reivindicam mais tempo para deixar a ocupação. Em lugar de 14 dias oferecido pela companhia, falam em ao menos 60 dias.


- “O problema é que não tem casa (disponível), tem uma mulher com duas crianças especiais, com criança pequena”,

afirma Dirlei, uma das moradoras, que, assim como a maioria ali, construiu a casa de forma precária, vive situação de desemprego, uma vez que é egressa do sistema prisional.


Outra moradora, com voz ativa na comunidade, chamada Jussara, já esteve numa ocupação anterior e, antes disso, no fatídico despejo da Ocupação Povo Sem Medo, em 10 de janeiro de 2023, no bairro Campo de Santana, atestando o fato de que o povo brasileiro é obrigado sempre a participar de várias lutas.


"Fiz o barraco, peguei chuva, desde o começo, fomos lá para o Campo de Santana, fui despejada", lamenta, afirmando que, nas atuais condições de vida, não teria outro lugar para ir além de uma ocupação.


Auxílio aluguel


O acordo garantido pela Cohab inclui o recebimento do auxílio por 12 meses, podendo ser renovado por mais 12 meses, no valor de 800 reais, a partir de apresentação de documentação necessária, que envolve comprovante da casa que será alugada.


Em resposta à reportagem da Vigília Comunica, integrantes da Cohab apontam que os 14 dias de prazo são uma referência sujeita à negociação. A Companhia alega que a saída das famílias seria necessária em vista de limitar de reintegração de posse já autorizada pelo juiz do caso, além de apontar que a Primavera estaria em área de preservação ambiental.


Jussara ainda comenta que o preço dos alugueis, mesmo na periferia, tem sido muito alto. O que, segunda ela, as famílias têm encontrado são quitinetes e quartos para locação.


"O valor de R$ 800 é baixo, porque não temos renda pra inteirar. Estamos procurando casa, casa pela internet e nada", afirma Jussara.

Mulheres da Primavera enfrentam a precarização e o desemprego, pedem mais tempo para saída do local. Foto: Pedro Carrano
Mulheres da Primavera enfrentam a precarização e o desemprego, pedem mais tempo para saída do local. Foto: Pedro Carrano

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