Produção de alimentos saudáveis é a chave para um futuro seguro
- Vigília Comunica

- há 2 dias
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por Luis Lomba
A produção de alimentos saudáveis é a chave para um futuro seguro e os modelos de produção capitalistas são insustentáveis. Só a agroecologia garante produção com respeito ao meio ambiente e aos seres humanos, defendeu o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, João Pedro Stédile, em palestra realizada nesta sexta-feira (19) na abertura do dia de campo da 23° Jornada de Agroecologia, no Assentamento Contestado, na Lapa.

João Pedro tratou do tema da Jornada: ferramentas para construir a reforma agrária popular. “Nos últimos 300 anos nós estamos enfrentando no Brasil uma disputa de modelos para a agricultura. De um lado, a proposta dos capitalistas, com suas empresas, suas técnicas, seus insumos. E de outro a proposta dos camponeses, que é também a proposta dos trabalhadores. Esses projetos estão se enfrentando todos os dias”, disse.
O dirigente detalhou que, do lado do capital, há dois modelos: o latifúndio predador, que opera se apropriando dos bens da natureza e transformando-os em mercadoria - a terra, florestas, madeira, água, minérios. O segundo modelo do capital é o do agronegócio. “Esse é cantado em verso e prosa pela burguesia todas as noites no Jornal Nacional, o agro é pop, o agro é isso, é aquilo. Esse modelo é uma atualização do modelo das plantations do período da escravidão, se baseia em grandes áreas, monocultivo, grande escala”, explicou.
Do outro lado, temos o modelo da agricultura familiar. “Esse é o modelo da classe trabalhadora brasileira, com uma agricultura que se contrapõe à do capital e se baseia em novos paradigmas que fomos aprendendo com a ajuda de universidades, dos nossos aliados no conhecimento científico”, afirmou João Pedro Stédile. “Um dos paradigmas que incorporamos é a agroecologia para produção de alimentos saudáveis para todo o povo”, completou.
O acesso a máquinas adequadas são fundamentais para o sucesso da reforma agrária popular, apontou Stédile. Para garantir esse acesso, o MST, em parceria com o governo federal e a Prefeitura de Maricá (RJ), estão construindo uma fábrica de pequenos tratores no município fluminense.
Por que a China? “Foi a única que nos ofereceu gratuitamente tecnologia para produzir máquinas adequadas aos camponeses, máquinas para trabalhar em áreas de um hectare. Esperamos que já no segundo semestre deste ano saia o primeiro pequeno trator de 25HP da fábrica que estamos montando, com um investimento de R$ 150 milhões de um fundo de royalties do petróleo”, explica Stédile.

O agronegócio não tem futuro, mesmo que dê lucro para os grandes produtores, observou o dirigente do MST. “A justificativa do capitalismo para o modelo é que ele dá muito lucro. Ficam se exibindo que o agro alimenta o mundo. É mentira. O agronegócio não consegue alimentar nem os brasileiros. Temos 30 milhões de pessoas que se alimentam mal e 66 milhões que se encontram em estado de insegurança alimentar”, afirmou. “É uma ilusão achar que esse modelo vai resolver o problema da produção de alimentos no Brasil e no mundo”, completou.
A prova de que os modelos capitalistas de produção são insustentáveis é a dívida de R$ 180 bilhões do agro com os bancos. “E como vão pagar? Não é produzindo bom mais. Foram ao Congresso e com apoio de seus deputados apresentaram um projeto de lei que anistia essa dívida. Quem teria que pagar os bancos não seria mais o agro, mas o Tesouro Nacional. Quando a despesa é para o Bolsa Família, para o Pronera, para a educação, eles falam em controle fiscal. Quando é para entregar de mão beijada bilhões de reais para o agronegócio, ninguém fala em equilíbrio fiscal. O projeto já foi aprovado no Senado, será votado na Câmara e espero que o presidente Lula vete”, argumentou.
A Jornada de Agroecologia segue até o próximo domingo (21), no Centro Politécnico da UFPR, em Curitiba. Veja aqui a programação completa.




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