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Professora Marlei Fernandes: da educação para todas as pautas

por Pedro Carrano


Todo mundo conhece a sindicalista e Professora Marlei, seja das lutas da Educação, mas sempre com um olhar, como ela diz, voltado para as lutas gerais da classe trabalhadora. E não são poucas. Do serviço público ao apoio ao MST, é esse horizonte agora que a trabalhadora da educação aposta na sua pré-candidatura à deputada federal pelo PT.


É a segunda vez que Marlei Fernandes participará do pleito. Já saiu como candidata também ao Senado, mas agora, admite, há ingredientes e motivações novas. A conversa com a reportagem da Vigília se dá no fim do expediente, na sede da APP-Sindicato.


Marlei é responsável pela pasta de Assuntos Jurídicos da entidade e, também, vice-presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). Logo de início da prosa, ela admite, a luta parlamentar é importante, mas gosta muito desse chão de concreto das lutas cotidianas da escola. Porém, ela sabe que há uma tarefa no campo da Educação Pública de eleger parlamentares em 2026.


A longa caminhada dessa lutadora do povo se inicia aos doze anos, ainda no grêmio estudantil. Natural de Paranavaí (PR), Marlei Fernandes passou pelas Comunidades Eclesiais de Base (CEBS), tendo contato com os princípios da Teologia da Libertação, que compreende Cristo a partir da relação de amor com os trabalhadores e desfavorecidos.


A pastoral permitiu uma ponte que lhe agrada, que é a comunicação. “Atuei na rádio da pastoral, me comunico melhor neste aspecto da fala”, aponta.


Anos mais tarde, vieram as lutas da Educação, já como Professora Marlei, formada em Literatura, leitora assídua de biografias políticas. Passou pela direção da APP-Sindicato, chegando à presidência da entidade, e também esteve à frente do Fórum Estadual dos Servidores (FES), que engloba vários sindicatos do serviço público no Paraná. “Estive por dez anos, num trabalho que envolveu a gente em todas as políticas públicas”, recorda.


Liderança feminina e a necessidade de provar

“Nos tornamos feministas, uma pauta para mim bastante cara e forte. Fui a segunda presidenta em 50 anos de sindicato, a partir de muita luta, em uma categoria marcada por baixos salários”, aponta, criticando o fato de que, mesmo com tanto tempo de estrada, e mesmo numa categoria com predomínio de mulheres, as mulheres sempre têm que provar seu valor e capacidade”, afirma.


Desde 2014, como Marlei indica, atuar no sindicalismo não tem sido tarefa fácil. Afinal, logo vieram o golpe de 2016 contra Dilma, a prisão de Lula em 2018, os governos de Temer e Bolsonaro desmontando a estrutura nacional. Tudo isso repercutiu ideologicamente em debates duros com segmentos conservadores, em cada categoria. Diante disso, sempre foi necessário, para Marlei, aliar a defesa de direitos do dia a dia com as pautas gerais. “Sindicato tem que cuidar dos problemas da categoria, o que não se faz sem política geral, tentamos explicar isso”, afirma.


O trauma do 29 de Abril e a Educação neoliberal

O trauma marcante na sua militância, sem dúvida, foi o 29 de Abril de 2015. Marlei estava na direção sindical naquele dia e, como centenas de pessoas, sofreu com o gás lacrimogêneo a ponto de desmaiar e acordar longe do local. Ela relembra das professoras que não podem nem mencionar aquele Massacre. “Não posso nem ver aquilo, as marcas, num momento de virada da conjuntura nacional, 50 mil pessoas na rua, estávamos preocupados com todo mundo, procurando as pessoas, isso para quem dirige é pesado”, conta.


De Beto Richa a Ratinho Jr., ambos protagonistas daquela violência, Marlei aponta como o Paraná se tornou um triste exemplo de referência neoliberal na educação - a partir do impacto da reforma do ensino médio de Temer. Na sua plataforma política futura, Marlei vê muito sentido em defender políticas públicas voltadas aos aposentados. Aos 58 anos, a sindicalista tem refletido muito sobre as necessidades dos trabalhadores com mais de 60 anos, após tantos ataques vindos das reformas trabalhista e da previdência.


“No Brasil, vivemos um envelhecimento populacional, o que exige nova reestruturação da sociedade. Que sociedade queremos? Teremos lavanderias comunitárias? Estamos cuidando das mães e pais, eu cuido do meu pai, isso muda a sua rotina, a sua forma de ver o mundo, as políticas públicas, sobre a mulher que cuida, a gente precisa dar um rumo diferente no país, para a juventude que nunca acha que vai ter previdência”, reflete.

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