Programa de Aquisição de Alimentos em busca de ampliação
- Pedro Carrano
- 3 de jun.
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Investimentos são anunciados no Paraná do mesmo programa que Sergio Moro tentou enterrar
por Pedro Carrano

Um programa que une campo e cidade.
A partir do Estado, financia a produção cooperativada de movimentos sociais do campo, caso do MST, com alimentos de qualidade fornecidos para a sociedade e, sobretudo, para cozinhas solidárias populares.
Este é o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e executado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
O PAA havia sido enterrado no governo de Bolsonaro e ressuscitado no governo Lula 3.
É, sem dúvida, uma conquista dos movimentos populares que, durante a pandemia, organizaram-se por meio das políticas de solidariedade, criando cozinhas comunitárias, formando agentes em diferentes ações – saúde, alimentação, comunicação, entre outras. Em resumo, mobilizando o povo contra a fome. Extraindo lições organizativas disso.
Na Universidade Federal do Paraná (UFPR), no campus de agrárias, na sexta-feira (29 ), ocorreu um evento com a presença de autoridades, integrantes da Conab, movimentos populares, do campo e da cidade, para anúncio de investimentos para o programa no Paraná.
Balanço inicial
O balanço parcial, de lideranças e gestores, é de que o programa é um êxito. Que deve se ampliar ainda mais. Silvio Porto, atual presidente da Conab, em conversa com a Vigília Comunica antes da solenidade, apontou a importância de potencializar as cozinhas, e como isso deveria ser ampliado num possível governo Lula 4.
Naiara Bittencourt, diretora da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, apontou a importância do programa no Paraná, onde houve inclusive criminalização do programa, em meados de 2013, com a operação Agro-Fantasma, chefiada pelo então juiz Sergio Moro, hoje candidato ao governo do Paraná – perseguiu e desmontou cadeias de produção de agricultura familiar.
“O Paraná é uma terra que cometeu muitas injustiças. Os agricultores que cultivavam a terra, entregavam alimentos para os que mais precisavam, foram presos por 60 dias”, criticou, ressaltando os desafios atuais do programa em permitir geração de renda e estrutura para as mulheres, que são justamente as que estão à frente da organização e da labuta nas cozinhas.

Políticas integradas
O evento contou ainda com a Ministra Fernanda Machiavelli, Secretária-Executiva do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, e com o presidente da Conab-PR, Valmor Bordin.
Ceres Hadich, integrante da direção nacional do MST, destacou o papel do PAA no enfrentamento a questões estruturais presentes na formação social e econômica brasileira.
“A fome tem cara, gênero, raça e endereço, expressão de um projeto de dominação, ela é uma contradição que precisa ser enfrentada”, afirma a dirigente do movimento.
Adriana de Oliveira, coordenadora do coletivo Marmitas da Terra e do MST, aponta que o PAA é um programa vinculado a potencial de educação política com o povo.
“O PAA tem a ver com alimento, com esperança, com cuidado e com afeto. O PAA só dá certo porque tem participação popular, desde como iremos receber e descarregar o alimento, até organizar processos coletivos nas comunidades”, afirma.





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