Semana do Meio Ambiente motiva debates sobre sustentabilidade
- lazzarimlouize
- 31 de mai.
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por Luis Lomba
A Semana Nacional do Meio Ambiente é celebrada entre 31 de maio a 5 de junho, data em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente. O tema deste ano é mudanças climáticas e garantia da proteção à vida em suas diversas manifestações. Mais que festejar, o momento deve ser aproveitado para refletirmos sobre o futuro que queremos. “A sociedade civil não tem o que comemorar, mas muito a denunciar. O mito de Curitiba como capital ecológica ruiu e nesta semana do Meio Ambiente devemos expor e debater essa desconstrução”, afirma Robert Marques, geógrafo, ambientalista e mais novo integrante do Conselho Municipal do Meio Ambiente.

O fim do mito de cidade ecológica se consolidou com a derrubada de uma centena de árvores neste mês de maio pela Prefeitura, para instalação de um corredor exclusivo para a linha de ônibus Inter 2 na avenida Arthur Bernardes. Mas a destruição começou antes, na implantação do mesmo projeto, quando no ano passado foram derrubadas 34 árvores na rua Vital Brasil, aponta Robert. “Eu nunca vou esquecer do servidor da Secretaria Municipal do Ambiente indo ver um ninho de passarinho numa árvore que já estava caída e ainda teve audácia de falar que não tinha passarinho. É claro, né? A árvore estava no chão, tinha sido derrubada”, recorda.
A crise ambiental que vivemos é amplificada pela lógica do capitalismo que sobrepõe o lucro empresarial e o fluxo de veículos ao direito à cidade e à resiliência climática, como se vê nas obras para o Inter 2. “É bom a gente destacar que a Arthur Bernardes é um pequeno pedaço de toda a obra do Inter 2. Ali os moradores conseguem fazer o barulho que o pessoal da avenida Victor Ferreira do Amaral não conseguiu fazer, que o pessoal das Mercês não conseguiu fazer. E essa luta que a gente trava ali na Arthur Bernardes é um sintoma muito claro, visível e comovente da patologia sistêmica do nosso planejamento urbano, que se manifesta quando a gestão municipal autoriza num final de semana o corte sumário de árvores nativas e exóticas”, aponta Robert.
Além de acabar com uma centena de árvores maduras, as obras na avenida Arthur Bernardes afastam do local as pessoas que frequentavam as quadras esportivas que favoreciam a convivência no bairro. “Aquele parque linear é histórico e a população usava muito aqueles espaços, o que não deve mais acontecer. E todo esse processo não é de hoje. Ano passado a prefeitura fez a mesma coisa na rua Vital Brasil, no Portão”, lamenta Robert.
No cenário de emergência climática que vivemos, abater árvores saudáveis é inaceitável, pontua o ambientalista. “Sob nenhum ponto de vista isso é aceitável, seja da engenharia viária moderna, da geografia urbana ou da ecologia política. Isso é inaceitável, pois nós não estamos mais debatendo previsões climáticas para 2050. Nós estamos vivendo uma emergência climática agora”, observa. As obras do Inter 2 têm efeitos negativos imediatos, aponta: “É só lembrar das enchentes do ano passado nos trechos onde ocorrem as obras do Inter 2. O maquinário pesado nas ruas em volta das obras está asfixiando as comunidades, destroem a pavimentação, sobrecarregam o sistema de drenagem, porque tem muito sedimento que é escoado junto com a chuva. Bairros como Novo Mundo, Vila Isabel, Santa Quitéria passaram a ter inundações sistêmicas, depois do início das obras”.
Robert lamenta que a Prefeitura ignore as dinâmicas climáticas, “como se as leis da natureza pudessem ser revogadas por decreto do prefeito motosserra". Ele define o que a Prefeitura faz com o projeto do novo Inter 2 como “Greenwashing de Estado” - estratégias de marketing em que governos promovem uma imagem de responsabilidade ambiental sem de fato adotar práticas de sustentabilidade. “O novo Inter 2 é um mega projeto de R$ 863 milhões, que se apropria do discurso ecológico, com novos ônibus elétricos. Usar isso como escudo para uma devastação na cidade não é aceitável”, afirma.
A destruição na avenida Arthur Bernardes teve grande repercussão social, mas a falta de visão ecológica da Prefeitura ameaça outros pontos da cidade, alerta Robert: “A gente fala da Arthur porque ali o pessoal conseguiu se organizar. Mas agora já temos uma nova denúncia de que, na obra do eixo leste-oeste do Vermelhão, também querem cortar árvores desenvolvidas, lá no Terminal do Centenário. Vão tirar mais árvores que nos ajudam a combater essa crise climática, e plantar mudas. Daqui a pouco a nossa cidade não vai ter mais árvores maduras, só mudas”.
A crise climática é produzida ativamente por decisões políticas e intervenções territoriais diárias, constata Robert. “Quando a máquina pública avança sobre um corredor ecológico consolidado como o da Arthur Bernardes, ela não está apenas suprimindo a madeira, ela está removendo a capacidade daquele microclima se auto regular”, diz. “A gente viu isso na Victor Ferreira do Amaral, com quase 200 árvores maduras sendo cortadas. A Prefeitura usa o discurso de que vai economizar tempo de transporte do trabalhador, mas a gente não precisa destruir árvores para economizar minutos no trânsito”, afirma. “A crise ambiental é agravada por esse urbanismo predatório, que trata a biologia da cidade como um obstáculo a ser varrido pelo asfalto, impondo uma violência territorial que nos deixa completamente expostos às anomalias climáticas”, completa.
Se há o que comemorar nessa Semana Nacional do Meio Ambiente é a nossa capacidade de expor que, por trás da propaganda institucional de sustentabilidade, opera um modelo de gestão predatório, avalia Robert Marques. “Denunciamos que essa cidade não tem mais nada de ecológica, que essa cidade não tem mais nada de modelo e que essa cidade matou sua Família Folhas”, afirma referindo-se à campanha publicitária que nos anos 90 projetou a ideia de Curitiba como referência em políticas ambientais.




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