Seminário Escola da Terra debate fortalecimento das escolas do campo
- Vigília Comunica

- 31 de jul.
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A educação do campo representa a diversidade das pessoas e do território. Os fechamentos de escolas rurais são uma tentativa de impor a padronização dessas comunidades, suprimindo características que garantem sua originalidade e desenvolvimento.

A análise foi feita pela presidenta da APP-Sindicato, Walkiria Mazetto, nesta sexta-feira (31), durante o Seminário Escola da Terra 2026, que acontece até sábado (1°) em Francisco Beltrão (Sudoeste do Paraná).
O Seminário encerra o processo de formação continuada de professores de 30 escolas do campo do Paraná, realizado pela Articulação Paranaense por uma Educação do Campo (Apec/PR). A programação reúne representantes da Defensoria Pública, do Fórum Nacional da Educação do Campo, professores, estudantes e pesquisadores.
O encontro é realizado pela Apec/PR, Ministério da Educação, Assessoar, APP-Sindicato, Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Fetraf), Sintepfb, Seed e Fórum Regional do Sudoeste.
“Cada território tem a sua diversidade, suas características, cada comunidade tem aquilo que lhe é próprio. Por isso a escola tem que estar lá, para manter a diversidade não só das escolas, mas das comunidades onde elas estão presentes”, afirma Walkiria Mazetto.
O fechamento de escolas do campo tem sido um dos focos dos ataques ao direito à educação no Brasil. No Paraná, o governador Ratinho Jr já fechou 41 escolas rurais e pelo menos outras sete estão sob ameaça, denuncia a Apec/PR.
As escolas do campo não cabem dentro do modelo da padronização imposto pelos inimigos da classe trabalhadora, por isso estão sendo fechadas, afirma Walkiria Mazetto. Ela aponta a tentativa cruel de aplicar o modelo da Revolução Industrial à educação pública, com a imposição de padronizações que não se aplicam às escolas.
A dirigente estende as críticas ao Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), usado para ranquear sistemas públicos de educação. “Essa ferramenta teve a sua função distorcida e hoje é o nosso maior problema porque, além de os resultados não serem reais, distorce negativamente a distribuição de recursos entre as escolas”, afirma.
A partir dos resultados do Ideb, o governo do Paraná premia escolas com bons resultados e pune as com números ruins. Em vez de destinar mais recursos públicos para as escolas que precisam melhorar, o governo destina mais verbas para as melhores colocadas no ranking. Isso varre os problemas para debaixo do tapete e impede que sejam superados.
Segundo Ana Hammel, professora da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) e coordenadora do programa Escola da Terra, o seminário sintetiza o trabalho realizado e aprofunda questões que acompanharam a formação. Entre os temas está a necessidade de reconhecer as características das escolas do campo e sua relação com a vida das comunidades.
“É olhar para essa escola, dar visibilidade a essa escola que existe, mas que, muitas vezes, está inserida em um processo que não a reconhece como uma escola diferenciada, que precisa ser considerada em sua diversidade e singularidade”, afirma.
O fechamento de escolas do campo é um dos principais desafios abordados no seminário. A coordenadora contesta a análise baseada apenas no número de matrículas e destaca que a função dessas instituições ultrapassa a oferta da educação formal. “Nós temos a campanha ‘A escola é vida na comunidade’.
Quando se fecha uma escola, não se fecha apenas a instituição. Acaba-se com todo um processo de socialização e com um espaço de vida da comunidade”, diz Ana Hammel.
Os professores que concluíram a formação assinaram uma carta-compromisso com a educação do campo. “Fechar escola é crime. Escola é vida na comunidade. Precisamos reabrir escolas do campo”, registra o documento.
O texto reivindica a realização de concurso público específico para as escolas do campo, valorizando a formação inicial e continuada na área da educação do campo. “É responsabilidade de toda a sociedade se comprometer com as escolas do campo”, finaliza.




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