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A seletividade institucional contra a soberania do voto

2 de set.
2 min de leitura

por Redação Vigília


A democracia brasileira volta a ser colocada na berlinda a menos de um mês das eleições que vão definir o destino político do país. Um processo eleitoral só se sustenta como legítimo quando há paridade de armas, transparência e estrita observância das garantias constitucionais. O que se desenha no horizonte das urnas, contudo, é o aprofundamento de uma prática nociva: a instrumentalização de cargos públicos e de esferas do Judiciário para influenciar o voto popular e manipular a vontade soberana do cidadão.


Foto: Freepik
Foto: Freepik

A conduta de André Mendonça no Supremo Tribunal Federal ultrapassa as fronteiras da prudência e do equilíbrio republicano. Ao mobilizar apurações internas e expor dados sigilosos no calor da campanha, o magistrado promove uma intervenção direta no tabuleiro eleitoral. É inaceitável que o rito judiciário seja convertido em biombo para blindar Flávio Bolsonaro, num momento em que a sociedade exige esclarecimentos imediatos sobre as graves suspeitas que o cercam.


Os fatos não podem ser encobertos por manobras de ocasião. Enquanto adversários são alvos de factoides sem materialidade, sustentados apenas por narrativas, a relação financeira entre o senador, o empresário Vorcaro e a Go Up Entertainment — produtora do filme biográfico Dark Horse sobre Jair Bolsonaro — permanece longe dos holofotes. Trata-se de uma teia de repasses que contradiz a versão pública da defesa e segue sob a mira da Polícia Federal. Investigações desse porte são convenientemente represadas, ao passo que se fabrica um desgaste artificial contra seus oponentes diretos.


O roteiro é bem conhecido. Trata-se da reprodução de um mecanismo sistemático que mina o ambiente republicano desde 2013. A combinação entre denúncias oportunistas do Ministério Público — historicamente desferidas no auge das eleições e arquivadas em silêncio após o pleito —, cobertura tendenciosa da mídia hegemônica e disseminação em massa de desinformação atenta diretamente contra a igualdade da disputa. O que antes se limitava a instâncias periféricas agora se instala de forma explícita na mais alta Corte do país, onde um ministro passa a agir abertamente como cabo eleitoral.


O combate à corrupção e a elucidação irrestrita de qualquer denúncia são princípios inegociáveis, desde que submetidos às regras do devido processo legal. Quando a toga se curva a conveniências partidárias e escolhe a dedo o que reter e o que vazar, a própria Justiça é desfigurada. Não há legitimidade possível em um pleito contaminado pela parcialidade de quem deveria zelar pela lei. Defender o equilíbrio deste momento é recusar a chantagem institucional e afirmar com clareza: a soberania do Brasil pertence única e exclusivamente ao voto livre do seu povo.

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