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Apib denuncia retrocessos e reforça mobilização nacional

Por José Pires


A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) convoca lideranças para barrar projetos que ameaçam territórios e direitos originários no Congresso


Foto: Pamella Sue
Foto: Pamella Sue

No último dia 5, teve início o Acampamento Terra Livre (ATL) que reúne milhares de indígenas em Brasília. Neste ano, a mobilização tem como tema a defesa dos territórios e o protagonismo dos povos originários no debate ambiental e político: “Nosso futuro não está à venda. A resposta somos nós”. A mobilização, considerada a maior do movimento indígena no país, destaca a defesa dos territórios, da biodiversidade e da participação indígena nos espaços de decisão.


Delegações de indígenas do Sul do Brasil também marcam presença no ATL 2026. Liderança Guarani-Nhandewa da Região Metropolitana de Curitiba, Eloy Nhandewa participa das mobilizações na Capital Federal e afirma que o tema desta edição busca marcar “um momento de luta” e ressaltar o papel central dos povos indígenas na preservação ambiental. “Está nos povos indígenas a resposta tanto para a preservação da vida humana quanto do planeta”, diz. Segundo ele, a presença indígena em instâncias políticas, acadêmicas e institucionais é essencial para garantir a proteção de rios, florestas e da soberania nacional. “É nesses espaços que se constroem leis que impactam toda a diversidade da vida”, afirma.


A demarcação de terras segue como principal reivindicação do movimento. Para Eloy, trata-se de uma pauta prioritária do Estado brasileiro, já que os territórios indígenas são fundamentais para manter a floresta em pé, assegurar água potável e proteger a biodiversidade. O ATL também atua para fortalecer candidaturas indígenas e ampliar a chamada “bancada do cocar” nas eleições, tanto em nível estadual quanto federal.


Neste ano, o ATL também debaterá a luta pela maior participação dos indígenas na política. No último mês de fevereiro, o coordenador executivo da Apib –Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – , Kleber Karipuna, esteve em audiência pública no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre as resoluções das eleições, apresentando propostas para aperfeiçoar as normas eleitorais a partir das realidades indígenas. Entre elas, a contabilização dos votos das urnas em territórios indígenas junto aos municípios de referência, garantindo sigilo e segurança nas aldeias.


Eloy Nhandewa destaca que nesta edição o evento ressalta a priorização da articulação interna dos territórios e das candidaturas indígenas, com menor abertura para a participação de parlamentares e agentes externos. “A gente priorizou a organização política dos territórios e do movimento indígena”, explica. Ainda assim, há expectativa da presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em algum momento da programação.

A mobilização ocorre em meio a dificuldades financeiras. Por ser ano eleitoral, apoiadores institucionais e setores do governo reduziram repasses, o que obrigou as próprias organizações regionais a assumirem custos com alimentação, transporte e infraestrutura. “Cada regional está se responsabilizando principalmente pela alimentação e outras necessidades”, relata Eloy.


Apesar dos desafios, a adesão é significativa. Após a primeira marcha até o Congresso Nacional, o acampamento já reunia cerca de 5 mil pessoas, com expectativa de chegar entre 6 mil e 7 mil participantes. A organização também faz um apelo à sociedade civil para apoiar a mobilização, com doações de itens básicos como alimentos e produtos de higiene.

A edição deste ano reforça, portanto, duas frentes centrais: a resistência em defesa dos territórios e o fortalecimento da presença indígena nos espaços de poder. Para as lideranças, o recado é direto: a solução para a crise ambiental e democrática passa, necessariamente, pelos povos originários.

Doações para a manutenção da cozinha solidária da delegação de indígenas do Sul podem ser realizadas por meio do PIX: 41 A996322334 (Eloy Jacinto).

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