Bancários fazem ato por manutenção de empregos
- Vigília Comunica

- 6 de jul.
- 4 min de leitura
por Joka Madruga
Na véspera da segunda rodada de negociação com a Fenaban, bancários e bancárias de todo o país realizaram nesta segunda-feira, 6 de julho, o Dia Nacional de Mobilização em Defesa do Emprego. Em Curitiba, o Sindicato dos Bancários e Financiários promoveu atividades em frente a agências dos bancos Itaú, Santander e Bradesco, na região central da capital, para denunciar a disparidade entre os lucros bilionários das instituições financeiras e a redução do atendimento à população, com o fechamento de agências e as demissões em massa.

A mobilização acontece um dia antes da próxima mesa de negociação da Campanha Nacional 2026, marcada para 7 de julho, que terá como foco principal o emprego. A categoria chega ao encontro com uma preocupação crescente: somente entre 2015 e 2025, foram extintos 88 mil postos de trabalho nos bancos, reduzindo o total de bancários de 504 mil para 416 mil. No mesmo período, quase 7,6 mil agências foram fechadas no país, uma queda de 34%.
A primeira rodada de negociações ocorreu no dia 2 de julho, em São Paulo, com a apresentação das reivindicações sociais da categoria, como a ampliação da contratação de pessoas com deficiência (PcD), a implementação da escala 4x3, a manutenção do teletrabalho, o direito à desconexão nos momentos de repouso e a segurança bancária digital. Os bancos se comprometeram a avaliar as propostas, mas a Fenaban recusou-se a assinar um documento de ultratividade, que garantiria a validade da atual Convenção Coletiva de Trabalho até o fim das negociações. Com isso, o acordo vigente perde validade em 31 de agosto de 2026.
Demissões e fechamento de agências
Os dados são alarmantes. Em 2015, o Brasil contava com 22.786 agências bancárias. Em 2025, esse número caiu para 14.253. Ao mesmo tempo, os cinco maiores bancos do país (Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Itaú e Santander) acumularam, somente em 2025, lucros de R$ 124 bilhões. Apesar da alta rentabilidade, as instituições seguem reduzindo postos de trabalho e unidades físicas, sobrecarregando as agências remanescentes e forçando os clientes a se autoatenderem em canais digitais que, muitas vezes, não resolvem os problemas.
O que dizem os dirigentes
O secretário de comunicação do Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e região, Junior Cesar Dias, avaliou o dia de mobilização como positivo e destacou os alvos principais da luta da categoria:

"Hoje é um dia nacional de mobilização, pelo fim das demissões e do fechamento de agências. Amanhã nós vamos ter a primeira reunião com os bancos para falar sobre emprego. E o que está posto para nós nesse contexto? Primeiro que é assim: os banqueiros estão fechando um monte de agências, em contrapartida, a lucratividade deles têm aumentado, e outra coisa que a gente tem observado, que apesar de toda essa mudança negativa, com precarização do atendimento e tudo mais, eles ainda continuam arrecadando uma vez e meia a folha de pagamento”, resume.
E mesmo assim os bancos continuam demitindo. “Então, ao mesmo tempo que precariza o atendimento, reduz o número de unidades para atender a população, eles aumentam a lucratividade em cima de taxas, tarifas, e fazem o cliente se auto-atender”, conclui. Nesta lógica, o cliente paga para fazer o atendimento dele mesmo.
“Aquilo que é disponibilizado para o cliente se auto-atender remotamente não atende, porque o cliente não consegue resolver todos os problemas. Aí obrigatoriamente tem que ir para uma agência, aí chega a agência lotada, e às vezes não consegue resolver o problema”, afirma. Alguns clientes têm conta em agência digital, mas se ele for numa agência física, a conta dele não estará lá.
“E, o gerente da agência física terá que atender os clientes dele, mais os outros clientes das outras unidades, com o problema que o bancário muitas vezes não consegue resolver. Então, o que está nesse contexto para nós? Assim, nós tínhamos que ter o apoio do Banco Central para resolver isso. Mas, infelizmente, nós não temos. Porque o Banco Central está lá, logicamente, nesse momento, ajudando os bancos a burlar o sistema”, justifica.
O dirigente comentou ainda a expectativa para a reunião com os banqueiros: "É a primeira reunião ainda que vai tratar sobre o emprego. E a gente sempre vai com boa expectativa que os bancos atendam a nossa reivindicação. Agora, é claro, a gente sabe que a pré-disposição deles de negociar a questão do emprego e remuneração nunca foi uma coisa tranquila. Tudo que a gente conseguiu foi na base de muita mobilização, de muito envolvimento dos bancários. Senão, não sai nada”, pondera,
“Mas o dia de hoje eu achei positivo porque a gente conversou com dois segmentos que são os mais atingidos, que são Santander e Itaú. Não que o Bradesco também não esteja nesse mesmo ritmo, só que em um ritmo menor. A aceleração mesmo de fechamento de unidades e redução de trabalhadores é Santander e Itaú. Esses dois são os dois principais”, finaliza.
Já o dirigente da Fetec-PR, Ewerton Lopes, avaliou o movimento como um aquecimento para as próximas ações:

"É um começo para esquentar os motores para uma mobilização que tem tudo para ser forte, porque a campanha não vai ser nada fácil. E a gente precisa de todo mundo junto, unido, bem informado. Isso é o mais importante para poder superar a intransigência do setor financeiro, que não está se mostrando muito disposto a negociar nos termos justos que a gente está apresentando:, justifica.
“A campanha nacional deste ano promete ser uma das mais intensas da última década, com a categoria unida em defesa do emprego, do atendimento presencial e de condições dignas de trabalho”, conclui.
A expectativa é de que as negociações avancem, mas os dirigentes já alertam: se os bancos insistirem na austeridade e na redução de direitos, a categoria pode partir para o enfrentamento direto, incluindo a possibilidade de greve.




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