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Camilla Gonda: Na ação prática, o combate à extrema direita

por Pedro Carrano


Camilla Gonda, jovem vereadora de 24 anos, já era conhecida na militância antes de sua eleição, em 2024. Na época, suas lutas mais cotidianas giravam em torno da pauta da juventude, educação e do feminismo – lutas que, ela afirma, seguem sendo fundamentais para o mandato. Mas o leque de atuação se ampliou.


Foto: Joka Madruga/Vigília Comunica
Foto: Joka Madruga/Vigília Comunica

“As pautas da Educação e juventude se reafirmaram, e também dos servidores públicos. Sou atriz, fiz teatro muito tempo da minha vida, então a cultura é uma pauta que adentrou o nosso meio. Também a pauta dos migrantes é bem forte para o mandato, tanto que instituímos o Dia da Gastronomia Latino-Americana”, narra.


Em entrevista realizada no gabinete à Vigília Comunica, no final da tarde de quinta (26), local marcado sempre por uma agenda atribulada e de muitas visitas de organizações da sociedade, Gonda estava ao lado do chefe de gabinete, Bruno Drozdek, que é assistente social. Ela concorda que a pauta da atuação da FAS ganhou o debate na opinião pública por conta dos ataques da extrema direita contra moradores em situação de rua e da política de internação compulsória da Prefeitura de Curitiba.


Foto: Joka Madruga/Vigília Comunica
Foto: Joka Madruga/Vigília Comunica

Na avaliação da vereadora, em consonância com o restante da oposição, parte da base do prefeito Eduardo Pimentel e a extrema-direita na Câmara de Vereadores de Curitiba aposta no debate ideológico e na pauta de costumes, dialogando com o senso comum e com o conservadorismo.


“Essas pautas funcionam como espantalhos, buscando diálogo com uma base elitista, com o sentimento bolsonarista”, critica.


No sentido contrário, a aposta de Gonda é avançar nas pautas que toquem efetivamente nas condições de vida do povo. Tornou-se, então, uma espécie de linha política, não só para Camilla, mas para todos os partidos da oposição, colocar o enfoque nas pautas concretas, de políticas públicas, enquanto a extrema direita prioriza os debates nacionais, a maioria deles ideológico.


“Enquanto estamos na comunidade, buscando alimentação adequada, emprego e renda, eles enxergam isso como pautas populistas, o que aconteceu com o vale-gás, por exemplo (política do governo federal). Para nós, é uma política olhando as pessoas que não tem mecanismos para se alimentar. Já eles (a extrema-direita) veem como assistencialista. Na esquerda, estamos preocupados com o que a pessoa vai comer no outro dia, preocupados em não tratar políticas públicas de maneira leviana. Os vereadores que menos apoiam, por outro lado, votam no aumento dos próprios salários e incham a máquina pública”, aponta.


Formação política de casa

A desenvoltura que tem marcado o seu mandato e a contundência nos debates em plenário vem de um contexto familiar anterior.


Foto: Joka Madruga/Vigília Comunica
Foto: Joka Madruga/Vigília Comunica

O pai de Gonda é trabalhador metalúrgico, enquanto a mãe é professora da rede pública de ensino, no formato de contratação “PSS”, marcado pela sobrecarga da jornada de trabalho e precarização. Ambos saindo sempre de madrugada para bater cartão. “Eu sempre estudei como bolsista, em colégio católico, ali comecei a me desenvolver, nas matérias de História, Geografia. Depois, fiz Direito na PUC e Ciências Sociais na UFPR, fui aluna via FIES, dívida que ainda estou pagando. E agora faço mestrado na UFPR em Ciência Política” relembra, apontando o papel dos pais que apresentavam a ela “teatro nos finais de semana, História, Filosofia e Arte, e um senso muito social também”, afirma.


Tempos de Partido

Gonda foi filiada ao PDT de 2019 a 2023, partido pelo qual concorreu em 2020, com 19 anos, tendo na época 1664 votos.


Ela recorda do período pelas ações da campanha Fora Bolsonaro, de carreatas a projeções de imagens em prédios quando o Brasil atingiu recorde de mortes pela negligência do governo em relação à Covid-19. Mais tarde, a convite da atual prefeita de Rio Branco do Sul, região metropolitana, Karime Fayad, Gonda ingressou no PSB.


Foto: Joka Madruga/Vigília Comunica
Foto: Joka Madruga/Vigília Comunica

“Achei melhor ir para um partido que está na vice do Lula”, afirma. Admite, no entanto, a contradição entre um mandato combativo em meio ao contexto de um partido que sempre pendeu à direita no Paraná. No entanto, Gonda acreditou num espaço em disputa, que tem mudado seu direcionamento.


“Sempre tentamos dialogar com as massas, um tópico importante para a gente (…) conseguimos chegar em pessoas que não sabem o que é esquerda e direita, muito embora eu entenda que eu sou bem à esquerda”, afirma, apontando que essa postura tem aberto diálogo e, também, trazido um novo perfil à sigla na capital.


Assembleia Legislativa do Paraná?

Não há definições até o momento, apenas sinalizações, sobre a posição de Gonda na disputa eleitoral de 2026, avaliando a chance de candidatura à deputada estadual. Numa trajetória recente e marcada pela inserção no território e pautas locais de Curitiba, a atual vereadora admite que seria um desafio pensar na pauta do Paraná. O que, para ela, começaria pelo problema da Educação Pública. Até porque professores e estudantes da rede estadual a procuram com frequência.


“Se fosse para concorrer, uma pauta seria dos colégios estatuais, tanto dos professores como dos alunos. Me interessa saber também como se formam periferias no interior do estado do Paraná, emprego, renda, acessibilidade, mobilidade como um todo é extremamente importante, a relação de quem vem de outras cidades para a capital. Temos interesse em conhecer, fazer território, temos muito o que aprender”, afirma.


Foto: Joka Madruga/Vigília Comunica
Foto: Joka Madruga/Vigília Comunica
Território e compromisso

O fundamental, a atual vereadora explica, é, uma vez no território, nas ruas, ou na recepção do gabinete, realizar uma “escuta ativa” das pessoas preocupadas com seus problemas e questões imediatas. “A gente não pode ser vista como palanque político, vou continuar o trabalho, se a população gostar, vou ser reeleita. Em nossa reunião semanal, eu sempre digo que as pessoas não trabalham para mim, mas para atender as pessoas com qualidade e sinceridade”, afirma.


Para alguém jovem e presente nas redes sociais, com uma agenda intensa, 8 a 10 visitas e recepções por dia, há espaço também para a vida pessoal? Gonda recorre à cultura, que acompanha e, com isso, reúne a militância do mandato e a diversão ao mesmo tempo. “As nossas pautas de cultura são nosso lazer. Samba, Hip Hop, Festival de Teatro de Curitiba. A escola de samba é o nosso melhor momento. Vamos todo domingo. É quando a gente se diverte”, resume.


Frase

“Nas campanhas do Lula ele dizia que as pessoas deveriam voltar a sonhar política. É possível, eu sempre falava, um dia chegar lá e fazer diferente. Eu trabalho 24 horas por dia, atendendo demanda porque precisamos entender os problemas reais da cidade, oportunidade”

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